• 11/07/2018 (08:34:37)

  • Repórter: Gazeta do Povo

Mercado

Leite valoriza no campo e sobe nas prateleiras

​Clima, entressafra e greve dos caminhoneiros puxaram alta nos preços do leite e derivados

Uma estiagem intensa no segundo trimestre do ano, aliado ao período de entressafra no campo e a greve dos caminhoneiros, elevou a cotação do leite no campo e, consequentemente, nas prateleiras dos supermercados. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), que monitora a cotação nos principais estados produtores do país, o preço pago ao produtor de leite subiu 28% no primeiro semestre deste ano, chegando a R$ 1,30, de média nacional, em junho.

A alta também foi sentida pelo consumidor. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), entre janeiro e junho deste ano, o leite e derivados subiram no mercado varejista. O destaque é o litro do leite longa vida que aumentou 60% no primeiro semestre. Em janeiro, uma unidade era vendida, em média, por R$ 2,08; bem abaixo dos R$ 3,49 registrados em junho. No caso dos derivados, os queijos subiram, em média, 10% no mesmo período.

Diferentes fatores explicam esses aumentos. De acordo com o médico veterinário Fábio Mezzadri, que trabalha no Deral, o avanço no preço dos lácteos é comum nesta época do ano. “Entre os meses de maio e setembro, na chamada entressafra, o volume de oferta de pastagem é menor. É um ciclo comum”, diz. No entanto, Mezzadri, cita algumas particularidades de 2018. “Nós tivemos a greve dos caminhoneiros e uma estiagem de 60 dias entre março e abril, que atrasou o crescimento das pastagens de inverno. E isso influencia nas cotações”, conta.