• 10/01/2019 (14:22:04)

  • Repórter: Gazeta do Povo

  • Fotógrafo: "Jefferson Rudy/Agência Senado" Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/gleisi-hoffmann-participa-da-posse-de-maduro-na-venezuela-4epqanvz1cmayzsav1fwcwnrp/ Copyright © 2019, Gazeta do Povo. Todos os direitos

Companheiro fiel

"Gleisi Hoffmann participa da posse de Maduro na Venezuela

O governo brasileiro não reconheceu a reeleição do ditador venezuelano, posição que é criticada pelo PT"

"A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, participa nesta quinta-feira (10) da posse de Nicolás Maduro, reeleito presidente da Venezuela, em Caracas."

"Em nota, Gleisi citou sete razões para prestigiar a posse do ditador venezuelano. A primeira é “para mostrar que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática”.

Na manhã desta quinta, em entrevista à jornalista Andréia Sadi, Gleisi chamou de “grosseira” a relação do governo Bolsonaro com a Venezuela. “Fala fino com os Estados Unidos e grosso com a Venezuela”, afirmou.

A atitude de Gleisi de prestigiar a posse de Maduro é criticada até por representantes da esquerda brasileira. Luciana Genro, deputada estadual eleita pelo PSOL no Rio Grande do Sul, escreveu no Twitter que Gleisi “está dando uma mãozinha para aqueles que querem liquidar a esquerda”, e que “só uma esquerda mofada para apoiar o Maduro a estas alturas”. Para ela, “há muito tempo [o governo venezuelano] deixou de ser um governo progressista”.

"Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos em maio de 2018, com 67% dos votos válidos. A eleição foi boicotada pela oposição – que denunciou a ocorrência de fraudes – e teve 54% de abstenção, ante 20% na eleição anterior, em 2013.

Em seu comunicado sobre a ida à posse do ditador, divulgado na quarta (9), a presidente do PT afirma que o partido reconhece “o voto popular que reelegeu Maduro, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática”.

Entre outros motivos, Gleisi afirma discordar do que chama de política intervencionista e golpista dos Estados Unidos. Segundo a senadora, “bloqueios, sanções e manobras de sabotagem ferem o direito internacional, levando o povo venezuelano a sofrimentos brutais”.

A petista também diz ser inaceitável virar as costas ou tentar tirar proveito político de uma nação em dificuldades, e que o PT defende o “princípio inalienável da autodeterminação dos povos”.

Na nota em que justifica sua presença na posse do ditador, Gleisi faz menção à decisão do Grupo de Lima de não reconhecer a eleição do venezuelano. O grupo tem 14 nações que discutem a crise venezuelana, e apenas o México – que se reaproximou do governo venezuelano após a posse do presidente André López Obrador – não assinou o documento.

O Brasil, representado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, é um dos 13 países do Grupo de Lima que votaram pelo não reconhecimento da eleição de Maduro.

Vários outros países decidiram não reconhecer o novo mandato de Maduro, entre eles os participantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia.

Na segunda-feira (7), o PT emitiu nota repudiando a decisão do governo brasileiro de não reconhecer o novo mandato Maduro e de apoiar a agenda política do presidente americano Donald Trump em relação ao país sul-americano.

O partido prestigia o governo venezuelano desde os tempos de Hugo Chávez e resiste em criticar a ditadura instalada no país vizinho. Um dos poucos recuos em relação a essa posição, bastante tímido, ocorreu em agosto do ano passado, durante a campanha eleitoral, quando o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, afirmou que “a Venezuela e a Nicarágua não podem ser caracterizadas como democracia”.

Ao ser questionado se os dois países da América Latina seriam democracias ou ditaduras, ele disse que “quando você está em conflito aberto, como está lá, não pode caracterizar como uma democracia. A sociedade não está conseguindo, por meios institucionais, chegar a um denominador comum”. Afirmou também que, na Venezuela, “a tradição golpista se impôs de parte a parte”.