• 21/01/2019 (13:00:02)

  • Da Redação

  • Repórter: correio24horas.com.br

Cuidados no verão

Alerta: calor pode causar queimaduras nos cães e até levá-los à morte

A hipertermia é um quadro grave, muito mais comum do que se imagina. Os cães não transpiram como as pessoas, não produzem suor.

Tem gente que acha que cachorro é gente. Para o bem ou para o mal. No caso, muitos acreditam que nós adoramos o verão, que gostamos de tomar sol e de passear debaixo de uma “lua” de meio dia. Mas, nesse calorão dos infernos que tem feito, nós que somos peludos queremos mesmo é, literalmente, sombra e água fresca. Até porque, o verão envolve riscos sérios para a saúde dos cães. Desde as patinhas, que podem sofrer queimaduras quando em contato com o chão ou asfalto quentes, até a chamada hipertermia, o aumento da temperatura do corpo do animal.

A hipertermia é um quadro grave, muito mais comum do que se imagina. Os cães não transpiram como as pessoas, não produzem suor. Eles fazem o controle de temperatura pela respiração bucal. Se estiver muito quente, essa troca fica prejudicada. Neste caso, não há redução da temperatura corporal ao nível adequado, explica a veterinária Rosilane da Silva Santos, do Hospital Veterinário HPet. “A possibilidade de um estresse térmico que eleve sua temperatura até 40, 41 graus, aumenta bastante. Aí ele pode sofrer uma convulsão ou desmaio”, diz Rosilane, especialista em clínica médica de cães e gatos. Passear à sombra e em horários com temperatura amena é o mais indicado.

A hidratação é fundamental. Aliás, uma água geladinha vai bem. Por isso, sigam o exemplo do artista plástico e militar da reserva Luís Fernando Sousa, 50 anos. Ele só passeia com seu bulldog, o Saravá, em horários em que o sol ainda não tá tão retado. “Sempre quando o sol estiver mais frio. Bem cedo pela manhã ou depois das 16h30. Sempre levo água, de preferência gelada. Conhecer o cão é muito importante”, afirma Luís Fernando. “Observo como ele está durante a atividade e sempre que noto alguma alteração na condição física faço uma pausa para hidratar. Se for o caso dou uma molhada nele”, ensina.

A veterinária Luciana Maron chama a atenção para os chamados cães braquicéfalicos, que têm os focinhos achatados (pugs, bulldogs, boxers e shi tzus, por exemplo), que são mais sensíveis ao calor. “Naturalmente, eles têm uma dificuldade respiratória maior. Por isso é complicado passear com sol quente ou leva-los para a praia em horários de temperatura elevada, mesmo com sombreiro”, alerta Luciana, que é proprietária da Vila Cani. O veterinário Gilian Macário lembra também do risco de usar focinheiras quando está calor, porque mantém a boca do cachorro fechada. “A respiração é a forma que eles têm de regular a temperatura do corpo. Eles não suam para resfriar a temperatura corporal. Então, focinheira é proibida”, alerta.

Coxins

No caso dos coxins, que ficam debaixo das nossas patinhas, é preciso tomar cuidado também. Mais uma vez, não somos gente. E, diferente do que algumas pessoas pensam, os coxins são apenas um pouco mais resistentes que a pele humana. Apesar da camada de queratina mais espessa, nossas patinhas podem, sim, sofrer graves queimaduras. A medida da sola do pé humano pode ser uma boa referência para o tutor. “Tem que ter bom senso. Então, tem que fazer o teste com a mão ou com a sola do pé”, afirma a veterinária Carolina Trinchão.

A jornalista Fernanda Varela, tutora dos beagles Giggs e Wiki (@irmaosbeagles), prefere passear em áreas de grama no verão. Se não for possível, sempre faz o teste da mão ou sola do pé. “Faço o teste no chão antes de passear, coloco a palma da mão ou pé cerca de cinco segundos para ver se tá tranquilo. Isso quando, por algum motivo, não consigo sair cedo ou não temos possibilidade de passear na grama”, diz Fernanda, que tá sempre ofertando um picolézinho de frutas para seus “filhos”. Há quem use sapatinhos caninos para proteger os coxins. Mas, como explica uma veterinária na tabela abaixo, eles devem ser usados com moderação porque podem piorar o problema.
Há também um grupo de doenças que se intensificam no verão, como as doenças de pele que vão desde as dermatites até o próprio câncer. Após um banho de mar, é preciso dar banho com água doce e shampoo para cães. Os animais de pele mais rosadas devem usar protetor solar em áreas despigmentadas, como o focinho e a barriga.

Os carrapatos também se reproduzem em maior número no verão. Assim como no restante do ano, mas especialmente nessa época, é preciso estar com o carrapaticida em dia para evitar doenças como erliquiose e babesia. Especialista em oftalmologia, Carolina Trinchão faz uma observação em relação a inflamações que podem atingir os olhos devido o contato com a areia ou água do mar. “Eles adoram esfregar o rosto na areia. É importante depois de ir à praia lavar os olhos com soro fisiológico”.

O Golden Retriever Chandon adora ir à praia. Por isso, sua tutora, a farmacêutica Camila Pimentel, 28 anos, está atenta à hidratação. “Golden é uma raça bastante calorenta. Tô sempre dando água gelada e molhando a cabecinha dele. Dou água de coco também”. Para refrescar um pouco mais, ela também realiza o chamado trimming, espécie de tosa. Mas, mesmo neste caso, é preciso ter cuidado. Em algumas raças, como o próprio Golden, o pelo costuma ser um protetor natural. “Funcionam como elemento compensatório. Na melhor das intenções, os tutores podem estar causando um desequilíbrio. Os pelos funcionam como antitérmico tanto pra frio quanto para calor. Por isso, não pode exagerar na tosa”, explica a veterinária Rosilane Santos.

Veja os principais riscos:

– Hipertermia
O que é: Os sinais são claros. Os cães ficam muito ofegantes, a saliva fica espessa e a coloração da gengiva também altera, ficando avermelhada e até roxeada. Em casos mais graves, o animal pode ter uma síncope e desmaiar.

Como evitar: Não faça passeios em horários de sol forte. O ideal, pela manhã, é que seja até 9h30. Pela tarde, só a partir das 17h. Em caso de crise, é necessário levar imediatamente ao veterinário. No carro, mantenha sempre o ar-condicionado ligado. “Tive a situação de um paciente que morreu porque uma pessoa que ele contratou para fazer uma viagem com o animal foi almoçar e deixou o cachorro dentro do carro. Infelizmente veio a óbito”, lamenta a veterinária Luciana Maron.

O que fazer se acontecer: Tente resfriar o corpo do animal com água. Molhe axilas, virilha e nuca. Envolva ele em uma camisa ou toalha molhada para ajudar na troca de calor. Tire o bichinho da fonte de calor imediatamente e coloque em um lugar frio, de preferência um ar-condicionado.

– Queimaduras nas patinhas
O que é: Temperatura do chão pode causar queimaduras graves nos coxins, chegando a deixar a pata do animal em carne viva.

Como evitar: Fazer passeios em horários que o chão está mais frio ou optar por caminhar na grama. Há alguns apetrechos que podem ser usados, como sapatinhos apropriados para cachorro. Mas, neste caso, é preciso usar com moderação. “O sapatinho pode esquentar ainda mais e criar uma dermatite. Não pode deixar muito tempo. O ideal mesmo é escolher o melhor horário para passear”, insiste Rosilane. Além disso, o material pode causar problemas de pele no cão.

O que fazer se acontecer: Evitar contato do animal com o solo e levar ao veterinário. Não envolver com ataduras.

Doenças mais comuns no verão

Doença do carrapato: A erliquiose (erlichiose) e a babesiose são transmitidas pelo carrapato, que se alojam no corpo do animal e se alimentam do seu sangue. Pode ser uma doença fatal se não for tratada.

Como evitar: Manter o carrapaticida em dia e realizar exames periódicos como hemograma e sorologia.

Doenças de pele

Dermatites e câncer de pele

Como evitar: No caso das dermatites é preciso dar banhos com água doce (principalmente depois de ir para a praia) e secar bastante o animal.

Leishmaniose: Como costumamos viajar muito no verão, é preciso estar atento a regiões endêmicas de leishmaniose, como o Litoral Norte, por exemplo. Trata-se de uma doença perigosíssima, sem cura, que mata na maioria dos casos.

Como evitar: Usar coleira repelente e fazer vacinação contra leishmania. Consulte seu veterinário.

Verminoses: O contato com areia de praia e a grama expõe os cães às verminoses.

Como evitar: Estar mais atento à vermifugação do animal, que, na maioria dos medicamentos, é feita a cada três meses.

Dicas de hidratação:

– Ofereça água durante os passeios
– Ofereça gelo para os animais (cuidado pra não colar na língua. Basta passar na água ou derreter um pouco na mão)
– Faça picolé de fruta (sem açúcar! E consulte as frutas que cães podem comer. Uva e carambola, por exemplo, são tóxicas para eles)
– Compre uma água de coco e divida com seu “filho”
– Use protetor solar no focinho e barriga dos bichinhos