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Saúde
Sociedade de Infectologia do RS questiona critérios usados no Distanciamento Controlado
Entidade acredita que usar apenas capacidade hospitalar para cálculo de bandeiras "desconsidera o impacto social e individual" presente na pandemia.
CP
por  CP
02/06/2020 18:31 – atualizado há 7 segundos
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A Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI) manifestou, nesta terça-feira, preocupação com as regras de “Distanciamento Social Controlado" do governo do Estado. A entidade avalia que existem incertezas e lacunas de informação epidemiológica para se flexibilizar medidas de isolamento.

"A redução do isolamento implicará na maior circulação viral e aceleração de novos casos. Não deve ser adotada na fase de aceleração da epidemia e antes de seu pico”, salientou o presidente em exercício da SRGI, Diego Rodrigues Falci. Na sua avaliação, estabelecer como critério de flexibilização do isolamento apenas a capacidade hospitalar, desconsidera o impacto social e individual decorrente do aparecimento de novos casos, do aumento de mortes e da ocorrência de surtos entre profissionais mais expostos, como no caso de profissionais de saúde e suas famílias.

Thomas Kienzle AFP CP (2)

Falci ressaltou que o monitoramento da epidemia deve utilizar ferramentas de alta sensibilidade, permitindo analisar sua dinâmica de propagação, com isso detectar modificações em sua incidência e identificar áreas de maior expansão ou “hot spots”, permitindo assim direcionar ações de prevenção e diagnóstico antes que a expansão de casos acarrete em atraso sanitário e na perda do controle da epidemia. "Medidas de redução do isolamento devem estar acompanhadas de ampla testagem diagnóstica, incluindo o desenvolvimento de indicadores de cobertura de testagem considerando-se a população, e não apenas o número de casos confirmados", assinalou.

A posição da SRGI é pautada no fato de que a pandemia da Covid-19 atingiu o Brasil após seu surgimento nos países asiáticos, europeus e nos Estados Unidos, "permitindo que conhecêssemos as experiências bem-sucedidas daqueles países, aprendendo com seus acertos e erros". "O Brasil já tem mais de 500 mil casos confirmados, cerca de 30 mil pessoas já morreram e atingiu velocidade de mais de mil mortes diárias desde 26 de maio", contabilizou.

De acordo com levantamentos da Secretaria Estadual de Saúde (SES), o Rio Grande do Sul teve, entre 27 de abril e o final de maio, aumentou de cerca de 1.500 para aproximadamente 10 mil casos confirmados de Covid-19, representando uma elevação em 15 vezes o número de casos em apenas quatro semanas.

"A notificação de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) aumentou 7 vezes comparando-se o mesmo período de 2019 (cerca de 100 casos) e 2020 (cerca de 700 casos), o mesmo ocorrendo em relação a óbitos devido a SRAG com aumento em 10 vezes no número de óbitos", frisou. Falci argumentou, ainda, que alguns municípios do Estado vêm sofrendo importante impacto da epidemia, com expressivas diferenças na detecção de casos, incidência e mortalidade, as quais podem refletir diferenças na qualidade da rede de atenção. A SRGI sustentou que, no RS, há surtos de Covid-19, particularmente em grandes hospitais de Porto Alegre. No Interior, foram identificados surtos em estabelecimentos, como por exemplo em frigoríficos.

"A testagem diagnóstica somente é realizada em casos graves, de forma geral em pacientes que necessitam hospitalização. Não estão disponíveis informações a respeito da cobertura de testagem nos municípios do Estado, aumentando as incertezas a respeito das tendências de propagação da epidemia", lamentou, acrescentando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que a flexibilização das medidas de isolamento pode ocorrer, desde que alguns critérios tenham sido observados. Entre eles, é necessário que a transmissão viral esteja controlada, os surtos em locais de risco (como hospitais) tenham sido controlados e que o sistema de saúde seja capaz de diagnosticar e isolar os contatos de casos confirmados.

Recentemente, o governo estadual apresentou o plano de "Distanciamento Social Controlado", estabelecendo gradientes de risco entre os municípios. Propôs retorno das atividades de trabalho presencial, resultando na diminuição do isolamento social. "As experiências de outros países mostraram que o isolamento social guarda relação inversa com a aceleração da epidemia: reduzir isolamento acelera a propagação da epidemia", comparou. Na avaliação da SRGI, monitorar a evolução da epidemia apenas com informação de disponibilidade de leitos hospitalares e em UTI reduz a sensibilidade para identificar mudanças na propagação da doença. Mesma posição tem o Comitê Ad Hoc Covid-19.

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