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Agro
Abastecimento de milho em SC: o problema se repete
Por Ivan Ramos diretor executivo da Fecoagro
Ivan Ramos - Diretor da Fecoagro - SC
por  Ivan Ramos - Diretor da Fecoagro - SC
22/02/2021 04:53 – atualizado há 33 segundos
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O problema de abastecimento de milho para nossas agroindústrias e criadores de SC continua na ordem do dia, e cada ano tem um ingrediente novo para dificultar a situação. Se de um lado pode significar agregação de valor, ao transformar o grão em carnes e leite, do outro lado preocupa pelos altos custos que podem refletir no consumidor final. Que somos deficientes em volume de produção do grão já não é novidade, e à medida que passam os anos, a diferença entre produção e consumo fica cada vez maior.

O Governo do Estado tem se esforçado em manter programas de incentivo para aumentar a produtividade, já que em área temos quase nada a expandir, e ainda precisa ser disputada pela soja. Além disso, os reflexos de fatores climáticos que a cada ano tem se repetido, tem provocando queda da produção esperada, agora tem a incidência de pragas. Especificamente nessa safrinha estamos sentindo que lavouras quase completas foram dizimadas pela cigarrinha, além da estiagem que afetou muitas regiões, reduzindo as expectativas de colheita.

Os preços do milho no mercado internacional estão fora da realidade, e os agricultores devem estar satisfeitos, mas os consumidores certamente terão que pagar a conta. Há necessidade de intensificarmos programas de estímulo à produção para sermos menos dependentes de importação, quer do Centro-Oeste quer de outros países, porque isso tem um custo adicional ao criador e às agroindústrias, mas também ao Governo do Estado.

Já está em discussão há mais de três anos a alternativa de produção de ração com grãos de inverno. A secretaria da Agricultura está liderando essa possibilidade, inclusive sinalizado com subsídios para reduzir os custos de produção. Duas das principais pontas da cadeia já estão ajustadas para contribuir com esse projeto: as cooperativas através da Fecoagro se comprometeram em fornecer os insumos para o plantio de grãos de inverno e pagar com o produto da colheita. As agroindústrias através do Sindicarne garantem que em condições normais de mercado podem comprar os grãos para produção de ração.

O Governo do Estado se comprometeu em subsidiar o seguro das lavouras para cobrir eventuais prejuízos por intempéries. O que está faltando? Semente adequada, compatível com os custos de produção, isto é, com produtividade maior do que as existentes atualmente no mercado.

A produtividade disponível garante rentabilidade para produção de farinha, mas para ração, precisa ampliar o volume colhido por hectare, para ser competitivo com o preço do milho. As empresas de pesquisas é que terão que encontrar saídas para isso, e já se discute isso há três anos, e parece que avançou quase nada.

O Fórum Mais Milho que acontecerá em março em Chapecó, mais uma vez vai tratar do assunto. Estará em discussão essa alternativa, juntos com outros assuntos que envolvem o abastecimento de milho em SC. Precisamos de maior agilidade a quem de direito, e sairmos da mesmice e encontrarmos saídas para mantermos a nossa estrutura agroindustrial em SC, que tem sido elogiada por todos, mas que corre riscos se não resolvermos o abastecimento de milho em nosso estado.

Ivan Ramos é Diretor Executivo da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina - Fecoagro

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