GENTE

  • 16/08/2016 (09:41:02)

  • Julio Mocellin

  • Repórter: Fonte; Revista Veja

  • Fotógrafo: Rafael Andrade/Folhapress

Morre João Havelange, o cartola que fez da bola um negócio

Ex-dirigente foi o homem forte dos tempos de ouro da seleção e fez da Fifa uma multinacional bilionária do esporte. Morreu no Rio de Janeiro, aos 100 anos


Foto: Rafael Andrade/Folhapress

O ex-atleta e ex-cartola João Havelange, uma das figuras mais poderosas e influentes da história do esporte, morreu nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma infecção respiratória. Ele tinha 100 anos e estava internado desde o dia 6 de junho no Hospital Samaritano. Presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) durante a fase mais vitoriosa do futebol do país, também foi integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI) por mais de quatro décadas – renunciou em dezembro de 2011 alegando problemas de saúde, mas pressionado por uma investigação de corrupção.

O auge de seu poder, contudo, ocorreu no período em que foi presidente da Fifa, entre 1974 e 1998. Havelange mudou radicalmente a entidade que controla a modalidade mais popular do planeta, estendendo seu alcance, ampliando sua influência e transformando uma estrutura semiamadora numa máquina de fazer dinheiro, abastecida por contratos publicitários e pela comercialização de direitos de transmissão de TV. Se craques brasileiros como Pelé e Garrincha revolucionaram o futebol dentro de campo, Havelange alterou os rumos do esporte nos bastidores.

Ao deixar a presidência da Fifa nas mãos do sucessor, o suíço Joseph Blatter, seu principal auxiliar por 18 anos, o futebol profissional já era um dos negócios mais rentáveis do planeta. O impacto de sua gestão foi tão profundo que, em 1999, foi apontado pelo COI como um dos três principais dirigentes esportivos do século XX, ao lado do barão Pierre de Coubertin, pai dos Jogos Olímpicos da era moderna, e do catalão Juan Antonio Samaranch, que comandou o comitê olímpico por duas décadas. Havelange mantinha havia catorze anos o título de presidente de honra da Fifa.