CIDADE

  • 07/12/2016 (05:58:31)

  • Julio Mocellin

  • Repórter: Fonte: DC

7 Dias depois

Missa de sétimo dia homenageia as 71 vítimas do acidente com avião da Chapecoense 

Sete dias depois da queda do voo 2933 da LaMia, cerca de duas mil pessoas se reuniram na Praça Coronel Bertaso, em frente à Catedral Santo Antônio, no Centro de Chapecó, para rezar pelas 71 vidas que se foram nos arredores de Medellín na madrugada de 29 de novembro. A missa de sétimo em dia foi também uma corrente coletiva para orar pela saúde dos sobreviventes e, principalmente, valorizar o legado e as lições que a comunidade e o time chapecoense deixaram ao mundo.


Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Reportagem do jornal Diário Catarinense.

Para mostrar que Chapecó e o clube da cidade estão mais vivos do que nunca, as crianças da escolinha do clube foram personagens da celebração que emocionou a todos: um a um, meninos e meninas com o fardamento do Verdão do Oeste acenderam 71 velas do lado de fora da igreja para homenagear os mortos na maior tragédia da história do esporte mundial. Foram elas também, o futuro da cidade e do clube, que ao término da cerimônia seguraram 71 balões verdes sob os gritos de ¿vamos, vamos, Chape¿.

Durante a cerimônia, comandada pelo bispo Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), um dos discursos mais emocionantes foi de Daiane Palaoro, filha do ex-presidente da Chape, Sandro Palaoro, uma das vítimas da tragédia na Colômbia. Nele, Daiane expõe com clareza um sentimento que é visível no povo chapecoense, apesar da dor e tristeza desses dias: a Chape voltará mais forte do que antes.

– A pergunta que nos fizemos foi: por que a Chape? Talvez seja porque só a Chape é o segundo time de todos. O pequeno que encantou o mundo seria capaz de fazer o planeta inteiro parar para pensar nas coisas que realmente importam. Só a nossa Chape poderia fazer com que os inimigos passassem a ser novamente amigos. Todas as homenagens que recebemos nos últimos dias nos deixam a certeza de que o sonho de vocês (vítimas) está mais vivo do que nunca – discursou Daiane, antes de ser ovacionada pela multidão.

Uma das que estava entre a multidão era a escritora Inês Roami, 58 anos, que desde às 17h30 esperava o início da missa sentada na esquina da avenida Marechal Floriano Peixoto. Ainda abalada com a semana ¿mais difícil¿ de sua vida, mostrou o sentimento que une os chapecoenses nesse momento de luto e perda:
– A gente chegou no ápice e o destino nos parou. Mas ele nos parou momentaneamente, porque a Chape vai se reerguer, vai voltar mais forte e nossos heróis da Colômbia serão eternamente lembrados pelos seus feitos – profetizou.