GENTE

  • 09/04/2018 (06:37:57)

  • Repórter: Marcos Aurélio Castro

Coluna do Marcão

Seria o fim de Lula?

O ato final da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve a cor cinza da tristeza e o vermelho desafiador do limite entre a paixão e o ódio. Dizer que Lula chegou atrasado para seu próprio enterro como político de renome internacional, não seria agressivo. Afinal, a Polícia Federal deu um tempo limite para a apresentação dele em Curitiba, mas o horário não foi respeitado pelo condenado, que acabou ampliando por conta própria em mais de 24 horas.

É possível que ao voltar para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e lá se abrigar nos últimos momentos de um cidadão sem a mancha da condenação por crime no seu currículo, Lula tenha ido ao encontro da energia que o fez grande no Brasil e exterior. Foi de lá que ele surgiu como um míssil em pleno período do governo militar, para enfrentar a força do regime. Naquela passagem da sua vida, o sentido de união dos trabalhadores resultou na greve que os tornou fortes perante o governo de exceção da época.

Lula era o comandante de um exército de metalúrgicos – um pouco mais de três milhões de trabalhadores, conforme noticiário da imprensa. Tão numerosos que deu para fundar uma grei partidária: o Partido dos Trabalhadores – um partido sem patrões.

Quase quatro décadas depois de 1979, Lula já foi presidente da República duas vezes, discursou na Organização das Nações Unidas; foi líder dos países emergentes da América Latina; chamou grandes líderes mundiais pelo nome popular; trouxe três importantes acontecimentos esportivos mundiais ao Brasil – Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Jogos Pan-Americanos -; criou políticas sociais de grande relevância para as camadas que não faziam parte do orçamento da União. Como num passe de mágica, nas 48 horas que passou no sindicato, todos esses grandes feitos ficaram num segundo plano.

Ali estava novamente o sindicalista pobre, a espera a polícia que o levaria para cumprir uma condenação superior a dez anos, por crime de corrupção e lavagem de dinheiro. Não havia mais milhões de pessoas atrás dele como em 1979 e sim alguns milhares de seguidores, atônitos, incrédulos.

Sexta-feira, 6 de abril de 2018, foi apenas a data do ato final de um líder em estado de abandono pelos seus mais próximos discípulos e aliados, quando a delação premiada entrou em cena na Operação Lava-Jato. Grandes nomes que o cercavam contaram detalhes da vida íntima deles e do líder no poder central do país, na relação com grandes empresários e políticos.

Ele ficou sozinho para se defender e pouco a pouco foi cansando, até perder a compreensão sobre o papel da justiça. Tentou retornar às ruas e liderar uma revolta nacional, mas as pontes foram sendo bombardeadas à sua frente. Por último, a Suprema Corte do País, passou a negar todas as apelações possíveis apresentadas por sua defesa. Foi o fim. O antes badalado e bajulado, o poderoso e influente Lula se dobrou diante da dura realidade. Se entregou. Viajou a Curitiba num pequeno monomotor da Polícia Federal, ele que até bem pouco tempo se deslocava no país e exterior nos jatinhos mais sofisticados do mundo.

 Lula está preso. Seus seguidores, inconformados armam barracas à espera do milagre que possa devolver a eles o pai, o líder, o magnânimo Lula das canções emblemáticas das campanhas políticas nos últimos 20 anos. Enquanto isso, ele vive seu calvário na prisão que o Juiz Federal Sérgio Moro, o mandou. Seus fiéis seguidores não se contentam em apenas saber do que acontece lá dentro. Eles querem ver o seu líder, em carne e osso, livre, mesmo que seja para um ato de adoração. Seria esse o fim do Lula?