SAÚDE

  • 26/02/2019 (11:15:06)

  • Repórter: Gazeta do Povo

Tratamento caseiro

Bolsonaro cita tratamento de queimadura com pele de tilápia

A pesquisa sobre o uso da pele de tilápia no tratamento de queimaduras foi no fim de 2018 escolhidas para ser apresentada na World Innovation Summit for Health, realizada em Doha, no Catar

Durante a madrugada desta terça-feira (26) o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para trazer à tona uma pesquisa que vem sendo desenvolvida no Brasil há alguns anos.

Pele de tilápia no SUS?
Assim que a última fase clínica terminar, o projeto poderá ser registrado na Anvisa e, depois, comercializado por alguma empresa. Para Maciel, porém, o ideal seria que o Ministério da Saúde investisse na causa.

De acordo com o especialista, estima-se que um milhão de casos de queimaduras ocorram por ano no Brasil. “Dentro desse número, 97% das vítimas são pessoas de baixa renda, que precisam de atendimento público. Se o governo quiser investir, todos os centros de queimados do país poderão ter acesso ao tratamento”, conta.

Por enquanto, não houve contato entre os pesquisadores e o Ministério da Saúde, segundo o pesquisador.

Por que a pele de tilápia é melhor do que a humana para curar queimaduras
Maciel explica que embora países europeus já utilizem pele de porco há algum tempo, o Brasil ainda não havia investido na técnica.

“Infelizmente, ninguém nunca desenvolveu uma pesquisa antes. Além de o custo de importação de pele ser altíssimo, é preciso criar um banco de pele e investir em pesquisas. Esta é a primeira vez que o país usa pele animal no tratamento de queimaduras”, diz.

De acordo com o especialista, os bancos de queimados no Brasil atendem apenas 1% da demanda e usam pele humana no tratamento, mas não o suficiente. Atualmente, os bancos recebem material a partir de pacientes com morte encefálica e somente após a autorização da família. Depois, a pele doada passa por um processo de esterilização e sorologia. “É um procedimento trabalhoso e caro que não supre a necessidade.”

Além de os animais aquáticos apresentarem menor chance de contaminação, Maciel acredita que o Brasil tem uma grande chance de evoluir na agilidade e eficiência dos atendimentos. O otimismo se deve à grande quantidade de pisciculturas no país – a tilápia, junto com o tambaqui, representam 62% da produção nacional de peixes, segundo dados do IBGE – e pelo descarte de mais de 90% da pele dessa espécie.

Preparo


A pele de tilápia é trazida de uma piscicultura a 250 quilômetros de Fortaleza, depois passa por um processo de limpeza e recorte. A partir daí, começam várias etapas de esterilização com produtos como a clorexidina e glicerol para retirar possíveis agentes contaminadores e qualquer odor.

Após algumas etapas, a pele é armazenada em dupla selagem e então levada ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo. Lá, é feita uma radioesterilização complementar e depois retorna ao Ceará. Depois de todo o processo, a pele de tilápia é mantida em refrigeração a 3°C e pode ser utilizada em até dois anos.

Em novembro do ano passado, a pesquisa sobre o uso da pele de tilápia no tratamento de queimaduras  foi uma das escolhidas para ser apresentada na edição de 2018 do World Innovation Summit for Health (WISH), realizada de 11 a 13 de novembro, em Doha, no Catar.

Publicado no dia 02 de março de 2017 no Facebook, o vídeo produzido pela Stat, uma agência de conteúdo relacionado à saúde, conta com mais de 30 milhões de visualizações. Confira:"