GENTE

  • 27/04/2019 (09:28:16)

  • Repórter: AE, Rádio Guaíba e Correio do Povo

  • Fotógrafo: Reprodução El País

​ “Vamos fazer uma autocrítica geral neste País."

Na prisão, Lula fala que “Brasil é governado por um bando de maluco”

Ex-presidente falou à Folha e ao El País, na primeira entrevista autorizada pela Justiça em um ano

Foto:Reprodução El País

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira, em entrevista exclusiva concedida à Folha de S.Paulo e ao jornal El País, que o Brasil está sendo governado por “um bando de maluco”. Meses após a solicitação, o Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu os veículos, que queriam ouvir o ex-presidente. É a primeira vez que Lula fala à imprensa desde que passou a cumprir pena, há um ano, em Curitiba, pela condenação no processo referente ao tríplex do Guarujá (SP).

“Vamos fazer uma autocrítica geral neste País. O que não pode é este País estar governado por esse bando de maluco. O País não merece isso, e sobretudo o povo não merece isso”, disse o ex-presidente. Lula também declarou que, se sair da prisão, quer “conversar com os militares” para entender o ódio ao PT.

Lula também chamou de mentirosos o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, que coordena a força-tarefa da operação Lava Jato no Ministério Público Federal.

Em um trecho da conversa, Lula fala em querer sair da cadeia “com a cabeça erguida” e “inocente”, como entrou. “Eu tenho certeza, o Moro tem certeza. Se as pessoas não confessarem agora, no dia da extrema unção a gente vai confessar. Ele [Moro] tem certeza que eu sou inocente. Esse Dallagnol tem certeza que é mentiroso, que mentiu ao meu respeito”, disse. Em outro trecho da entrevista, o ex-presidente declarou que pode ficar preso cem anos, mas que não troca a dignidade pela liberdade.

Sobre o apartamento que motivou a prisão, Lula disse que “Moro mentiu” ao atribuir a ele a propriedade do imóvel. Lula também disse acreditar que seja inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Corte que muitas vezes, segundo ele, já contrariou pressões populares em votações.

“A única coisa que eu quero é que votem com relação aos autos do processo. Eu não peço favor a ninguém, eu não quero favor de ninguém. Eu só quero que julguem em função das provas”, acrescentou.

Questionado pelo jornalista do El País sobre as mortes do irmão e do neto, Arthur, Lula chorou. “O Vavá é como se fosse um pai pra da família toda”. Sobre a morte do neto, disse que já viveu 73 anos e que era melhor ter morrido e ver o menino sobreviver.

Lula cumpre pena pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex. No começo da semana o Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena de 12 anos e um mês para 8 anos e 10 meses de reclusão. A defesa vai recorrer para anular o processo.