SEGURANÇA

  • 07/05/2019 (10:14:28)

  • Da Redação

  • Repórter: Fonte: G1

Com mortes pela polícia, queda de assassinatos no Brasil em 2018 é menor

Sem contar as vítimas de intervenção policial, país teve uma redução de 13% nas mortes violentas em relação a 2017.

Mais de 5,5 mil assassinatos não estão nas estatísticas oficiais de mortes violentas do Brasil em 2018. São pessoas mortas pela polícia em 18 estados do país que contabilizam as vítimas decorrentes de ações policiais de forma separada.

Quando essas pessoas são contabilizadas, o total de mortes violentas no Brasil em 2018 passa de 51,6 mil para 57,1 mil — e a queda de assassinatos em relação ao ano anterior fica menor, passando de 13% para 10%. O país teve, ao todo, 63,7 mil mortes violentas em 2017. Destas, 4.594 cometidas pela polícia nos 18 estados que separam o dado – número menor que o de 2018.

Levantamento publicado pelo G1 em fevereiro aponta que a redução no número de assassinatos em 2018 é a maior dos últimos 11 anos da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A queda continua sendo a maior mesmo se forem consideradas as mortes em intervenção policial nos 18 estados que contabilizam estes casos separadamente. Mas o aumento de vítimas da polícia em um ano impressiona: 18% a mais.

Em 9 estados, as mortes cometidas por policiais já são consideradas nas estatísticas de homicídio — e, por isso, já estão incluídas no balanço de assassinatos publicado pelo G1 em fevereiro. O número de casos nestes estados, porém, é bem mais baixo que nos outros 18: são 632 mortes, contra as 5.528 desconsideradas na estatística oficial de mortes violentas.

Os dados revelam que:

Como houve uma alta no número de vítimas pela polícia, esse dado fez a redução de mortes violentas ser menor: 10%, e não 13%

O Pará, agora, registra uma alta no número de mortes comparando 2017 com 2018: 3,6%

No Rio de Janeiro, a queda de 8,2% no número de mortes sem contar as vítimas da polícia vai a 0,8% com os novos dados

Só 2 estados (Maranhão e Rondônia) ficam com uma queda ainda maior quando são incluídos os casos de intervenção policial

Para Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, “quando as autoridades passam a tolerar que terceiros passem a matar em nome de uma suposta eficiência no combate ao crime, o que ocorre é que esses grupos passam a matar para defender seus próprios interesses financeiros”.

“A situação se repete desde o surgimento dos primeiros esquadrões da morte, no Rio de Janeiro e em São Paulo, quando seus integrantes logo se bandearam para atividades criminosas de extorsão e ingressaram no mercado do crime”, diz.

“A redução da violência policial faz parte de uma estratégia de repensar a atividade policial para melhorar sua capacidade de prevenção e controle do crime. É importante mudar no Brasil o senso comum de que uma polícia violenta ajuda no combate ao crime. Violência policial contribui para produzir mais crime e desordem. Não pode nunca ser vista com solução para a segurança”, afirma Bruno Paes Manso.