PET

  • 20/05/2019 (12:08:37)

  • Repórter: Fonte: Observador

Especialista alerta que policiais desconhecem lei para animais em risco de vida

A intervenção das autoridades policiais quando um animal sofre maus-tratos é obrigatória, alertou esta sexta-feira a especialista em Direito Penal Maria da Conceição Valdágua, referindo que existe um desconhecimento desta condição por parte dos agentes policiais.

A docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada de Lisboa falava no I Congresso Nacional de Direito Animal promovido pelo Observatório Nacional para a Defesa dos Animais e Interesses Difusos (ONDAID), que decorreu em Cascais e que juntou magistrados, advogados, órgãos de polícia e veterinários para a partilha de conhecimentos e análise da evolução deste ramo do direito.

Quando existe uma denúncia de que um animal corre risco de morte numa propriedade privada, explicou, as autoridades policiais têm a obrigação de intervir, é um dever. Esta atuação é justificada quando, por exemplo, os animais são deixados dentro de um carro ao sol ou existe a denúncia de que num determinado local existe um animal cujo tutor não providencia cuidados básicos de bem-estar como alimento ou água. Ao não atuarem, observou, as autoridades estão cometendo um crime de omissão, violando os seus estatutos.

“Há um flagrante delito permanente. O crime está em execução e por vezes as autoridades acham que não podem entrar”, disse, acrescentando que o fato [crime] está presente desde que quem deve cuidar do animal não cumpre esse dever.

Maria da Conceição Valdágua, mestre em Direito e presidente da Associação Pravi – Projeto de Apoio a Vítimas indefesas (pessoas e animais), considera que “é uma pena que esta matéria seja tão pouco conhecida dos cidadãos, que também podem intervir, e das autoridades que são obrigadas, mas que não atuam por desconhecimento”. “Muitos agentes de autoridade até pelas respostas que dão quando pedimos ajuda claramente não tem consciência que o crime está sendo cometido. Se o crime está em execução, eles têm de atuar, é obrigatório”, frisou.

No I Congresso Nacional de Direito Animal foram abordadas questões como o Estatuto Jurídico Civil dos Animais e a prática judiciária, os desafios na interpretação e aplicação da lei que criminaliza os maus-tratos e o abandono de animais domésticos, os crimes praticados contra animais e a prática judiciária, a medicina legal veterinária e os crimes praticados em defesa dos animais.

O Observatório Nacional para a Defesa dos Animais e Interesses Difusos (ONDAID), entidade organizadora do congresso, é uma associação nacional que tem como objeto a proteção jurídica dos animais e a defesa do seu bem-estar, através da sensibilização do poder público e político, tendo por missão disseminar o conhecimento do direito animal, assim como, estudar, avaliar e propor a adoção de medidas que promovam o bem-estar animal.