CIDADE

  • 09/06/2019 (21:25:43)

  • Repórter: Gazeta do Povo

Vazamentos

Lava Jato denuncia ataque hacker contra procuradores

A força-tarefa da Operação Lava Jato divulgou uma nota, na noite deste domingo (9), em que denuncia a invasão de celulares de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná por um hacker. O documento afirma que, além de "cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho", alguns membros da força-tarefa tiveram sua identidade "subtraída".

Para os procuradores, a invasão representa os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes. Embora ainda não saibam a extensão do vazamento, os membros da Lava Jato dizem que, entre os arquivos, "possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias"."

Segundo a nota, "[a] violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado e se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da Operação".

Nesta terça-feira (5), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que esteve à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba até o final do ano passado, também teve seu celular hackeado. Um dia depois (6), houve uma tentativa de invasão do celular do relator da Lava Jato no Rio de Janeiro, o desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

O MPF também afirma que "é de se esperar que a atividade criminosa continue e avance para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto, falsificar integral ou parcialmente informações e disseminar 'fake news'".

Parte das conversas eletrônicas hackeadas pode ter sido divulgada pelo site The Intercept Brasil, que publicou uma série de reportagens, no final da tarde deste domingo (9), sobre trocas de mensagens entre os procuradores da força-tarefa e entre Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa, e o então juiz Sergio Moro.

Lideranças de esquerda, nas redes sociais, estão vendo as conversas como provas da parcialidade da operação. A deputada Gleisi Hoffman (PR), presidente do PT, afirmou que "Moro e Dallagnol atuaram combinados, com parcialidade e motivações políticas, para impedir a vitória eleitoral de Lula e do PT. Forjaram a acusação sem provas e armaram farsa jurídica contra Lula. Esse processo tem de ser anulado".

A nota do MPF nega essa versão, dizendo que as mensagens divulgadas estão fora de contexto. "Há a tranquilidade de que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de Operação", afirmam também os procuradores.

Segundo a nota, as conversas divulgadas mostram a "atuação sórdida daqueles que vierem a se aproveitar da ação do 'hacker' para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto e falsificar integral ou parcialmente informações atende interesses inconfessáveis de criminosos atingidos pela Lava Jato".

Por fim, os procuradores informam que estão à disposição da sociedade para prestar esclarecimentos e que já estão sendo tomadas medidas "para a apuração rigorosa dos crimes sob o necessário sigilo".