SEGURANÇA

  • 16/07/2019 (16:32:30)

  • Gaúcha ZH

  • Fotógrafo: Lauro Alves / Agencia RBS / Polícia Civil RS

Delegada diz que escrivão morto e colegas usaram drone e conheciam região da abordagem

— Um excelente colega que morreu combatendo a criminalidade.

Foram com essas palavras que a chefe da Polícia Civil do Estado, delegada Nadine Anflor, que falou em entrevista sobre a morte do policial Edler Gomes dos Santos, 54 anos. Escrivão do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), Santos participava como apoio da operação Dia D contra o abigeato (furto de gado) quando levou um tiro na região da axila. Alexandre Machado, também do Denarc, foi baleado na lateral do corpo e encaminhado ao Hospital Montenegro. Ele não corre risco.

Preparada há dois meses, a ação, segundo Nadine, foi meticulosamente organizada. Como se tratava de uma região mais isolada da cidade — a propriedade fica a aproximadamente 15 quilômetros do centro do município —, os investigadores chegaram a usar drones para analisar a área e um policial que atua no Vale do Caí foi designado para acompanhar a equipe, que somava quatro agentes.

Distante cerca de 1,5 quilômetro da estrada principal, o casebre de madeira onde vivia o homem que atirou contra os agentes, Claudio Roberto Nardi, 59 anos, tinha um freezer e materiais condizentes com a prática do crime de abigeato, afirmou Nadine. Além da espingarda calibre 12 com numeração raspada, foram apreendidas no local munições de outras armas, que não foram encontradas.

A ação

Segundo o delegado regional de Montenegro, Marcelo Farias Pereira, o início da ação estava previsto para as 5h. Mas em reunião feita antes das 6h, ficou decidido que a operação começaria mais perto do amanhecer.

Conforme Pereira, os policiais seguiram todos os protocolos ao chegarem à residência.

— Tínhamos superioridade numérica, os agentes estavam devidamente uniformizados e anunciaram que eram a polícia diversas vezes — garantiu.

Mesmo diante das ordens para rendição, o homem atirou, conforme relatam os policiais civis, acertando a região da axila de Santos — que fica desprotegida pelo colete à prova de balas. Machado também foi ferido, mas conseguiu se esconder atrás de uma viatura. Nardi conseguiu fugir, mas acabou sendo atingido no mato aos fundos do casebre, próximo a um córrego. Relatos da polícia dão conta de que ele teria morrido ainda segurando a arma.

Como a polícia cumpria 24 mandados de busca e apreensão na região, os policiais solicitaram apoio para encaminhar o ferido para atendimento médico.

Filho nega abigeato

De acordo com o delegado de Montenegro, Nardi tinha antecedente por crime ambiental, além da suspeita de envolvimento com abigeato. Mauricio Souza Nardi, filho do homem, disse à reportagem que o pai nunca teve relação com esse tipo de crime.

— Não tem envolvimento com abigeato nenhum — enfatizou.

O motorista, que ficou sabendo do tiroteio na prioridade da família por meio de parentes, disse que o pai era agricultor e morava no casebre havia seis meses.