SAÚDE

  • 25/07/2019 (18:36:56)

  • Repórter: Samantha Klein/Rádio Guaíba

​ Alerta na saúde

Aumento de 14,4% os casos de hepatite 

Notificação qualificada pode ser a causa para aumento de casos na Capital, considera médico
O Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, no domingo que vem, reforça a campanha Julho Amarelo, promovida pela Sociedade Brasileira de Hepatologia, como forma de prevenção a essas doenças, que podem acarretar em problemas graves ao paciente. No ano passado, o Rio Grande do Sul apresentou aumento no número de casos: foram 7,6 mil pessoas diagnosticadas com hepatite A, B ou C, uma alta de 14,4%, em relação a 2017.

Entre os tipos, aquele com maior incidência no estado é o C, que teve mais de 5,8 mil casos novos no ano passado. Contudo, o tipo A registrou a maior alta, de 2,5 vezes em relação ao ano anterior.

No País, segundo o Ministério da Saúde, mais de 500 mil pessoas convivem com o vírus da hepatite C e ainda não sabem, já que se trata de uma doença silenciosa que geralmente não provoca sintomas até que atinja maior gravidade.

Porto Alegre é a capital do País com maior incidência de hepatite C, segundo dados do Ministério da Saúde de 2017. Conforme o coordenador do Serviço de Atendimento Especializado em Hepatites Virais da Secretaria da Saúde, Eduardo Emerim, o sistema de notificações da Capital é muito eficiente, refletindo em um número maior de casos entre 2008 e 2018.

“O que está aumentando é a notificação de casos. Em relação à hepatite A, a tendência é pela diminuição, em função das melhores condições sanitárias no decorrer da última década. Então, o dado do Ministério da Saúde acaba por mostrar que as pessoas são portadoras do vírus, destacando que Porto Alegre conta com um ótimo sistema de detecção das hepatites”, ressaltou, em entrevista para o Guaíba News desta quinta-feira.

A hepatite B pode ser prevenida com vacinação, mas a hepatite C, não. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta eliminar a hepatite C até 2030, diminuindo assim o número de mortes, transplantes de fígado e hepatocarcinoma, que é um tipo de câncer no fígado.

Saiba mais sobre as hepatites
As hepatites virais atingem o fígado, muitas vezes, sem apresentar sintomas, o que torna o quadro mais perigoso. Quando aparecem, os mais comuns são cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, fezes claras e urina escura.

A análise do perfil epidemiológico das hepatites virais, em conjunto com o HIV/Aids, permitiu identificar as áreas de maior risco no Rio Grande do Sul. Foram considerados prioritários 62 municípios, levando em conta os índices de hepatites B e C, Aids e sífilis:
Alegrete, Alvorada, Bagé, Bento Gonçalves, Cachoeira do Sul, Cachoeirinha, Camaquã, Campo Bom, Canela, Canoas, Capão da Canoa, Carazinho, Caxias do Sul, Charqueadas, Cruz Alta, Erechim, Esteio, Estrela, Eldorado do Sul, Estância Velha, Farroupilha, Frederico Westphalen, Gravataí, Guaíba, Ijuí, Itaqui, Lagoa Vermelha, Lajeado, Marau, Montenegro, Novo Hamburgo, Osório, Palmeira das Missões, Parobé, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, São Jerônimo, São Luis Gonzaga, São Sebastião do Caí, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa, Santana do Livramento, Santiago, Santo Ângelo, São Borja, São Gabriel, São Leopoldo, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Soledade, Taquara, Torres, Tramandaí, Tapes, Uruguaiana, Vacaria, Venâncio Aires e Viamão.

Hepatite A
– Casos diagnosticados em 2018 no RS: 157 (153% a mais que em 2017)
Transmissão:
– Ingestão de água ou alimentos contaminados pelo vírus
– Contágio oral-fecal
– Contágio oral-fecal durante prática sexual

Prevenção:
– Ingerir água tratada ou fervida
– Lavar bem alimentos crus (frutas, verduras e legumes)
– Cozinhar bem peixes, mariscos e crustáceos
– Higienizar bem as mãos após usar o banheiro

Vacinação:
– Desde 2014, a vacina contra a hepatite A está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo oferecida no calendário básico infantil para crianças de 15 meses a 5 anos incompletos (4 anos, 11 meses e 29 dias).
– Os Centros de Imunobiológicos Especiais (Cries) também oferecem as doses para pessoas de qualquer idade que tenham: hepatopatias crônicas de qualquer etiologia incluindo os tipos B e C; coagulopatias; pessoas vivendo com HIV; portadores de quaisquer doenças imunossupressoras; doenças de depósito; fibrose cística; trissomias; candidatos a transplante de órgãos; doadores de órgãos, cadastrados em programas de transplantes ou pessoas com hemoglobinopatias.

Hepatite B
Casos diagnosticados em 2018 no RS: 1.668 (14% a mais que em 2017)
Transmissão:
– Compartilhamento de materiais no uso de drogas injetáveis, inaladas e pipadas
– Relação sexual sem o uso de preservativos
– Uso de materiais perfurocortantes não esterilizados (alicates de unha, aparelho de barbear e depilar, instrumentos de tatuagem e piercings, materiais cirúrgicos ou odontológicos)
– No parto, caso a mãe seja portadora (transmissão vertical)
Prevenção:
– Uso de preservativos em todas as relações sexuais
– Esterilização adequada e não compartilhamento de materiais perfurocortantes
Vacinação:
– Em crianças, são dadas quatro doses: ao nascer, 2, 4 e 6 meses. Para os adultos que não se vacinaram na infância, são três doses, dependendo da situação vacinal. É importante que todos que ainda não se vacinaram tomem as três doses da vacina.
– Pessoas que tenham algum tipo de imunodepressão ou que tenham o vírus HIV, devem se submeter a um esquema especial, orientado nos Centros de Imunobiológicos Especiais (Crie).

Hepatite C
Casos diagnosticados em 2018 no RS: 5.853 (13% a mais que em 2017)

Transmissão:
– Compartilhamento de materiais no uso de drogas injetáveis, inaladas e pipadas
– Relação sexual desprotegida
– Uso de materiais perfurocortantes não esterilizados (alicates de unha, aparelho de barbear e depilar, instrumentos de tatuagem e piercings, materiais cirúrgicos ou odontológicos)
– Quem recebeu transfusão de sangue anterior a 1993 corre o risco de ter sido contaminado

Prevenção:
– Uso de preservativos em todas as relações sexuais
– Esterilização adequada e não compartilhamento de materiais perfurocortantes

Vacinação:
– Não existe no momento vacina disponível contra a hepatite C
Testes rápidos aumentaram mais de quatro vezes 

As Unidades Básicas de Saúde oferecem testes rápidos para a detecção de hepatites B e C. Elas são o primeiro passo para o diagnóstico precoce da doença e a prevenção, já que possibilita interromper a cadeia de transmissão.

O diagnóstico permite um tratamento adequado e impacta diretamente a qualidade de vida do indivíduo, sendo um instrumento de prevenção de complicações mais frequentes, como cirrose avançada e câncer hepático.

O Rio Grande do Sul apresentou evolução expressiva no número de testes rápidos realizados pelos municípios. Em 2018, foram mais de 645 mil exames, aumento de 28% em relação ao ano anterior e mais de quatro vezes superior à quantidade realizada em 2014.