POLÍTICA

  • 01/09/2019 (18:39:00)

  • Repórter: Gazeta do Povo

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Centro ‘liberal e progressista’ avança de olho em 2022

Projeto começou antes da eleição de Bolsonaro e vai ser submetido ao eleitor em 2022

Um grupo de políticos, economistas e representantes de movimentos de renovação organizou um discurso e ações para a construção de uma alternativa de centro no persistente cenário polarizado da política nacional. A defesa de uma agenda liberal na economia e, ao mesmo tempo, "progressista" na área social vem sendo reiterada por nomes como o economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e líderes políticos como o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (sem partido) e o presidente do Cidadania, Roberto Freire. Como na tentativa frustrada de lançar um "outsider" na disputa presidencial do ano passado, esta articulação tem como peça central o apresentador Luciano Huck.

O empresário recuou dos apelos para entrar na corrida pelo Planalto em 2018, mas mantém atividade intensa em grupos de renovação política como o RenovaBR e o Agora! - surgidos a partir de 2016 na esteira do impeachment de Dilma Rousseff (PT) e do desgaste dos partidos. Estes movimentos elegeram, juntos, 17 parlamentares. Em outra ação concreta, Armínio desenvolveu um instituto para desenhar políticas públicas na área de saúde - ainda sem lançamento oficial, mas já em funcionamento no Rio.

Antigo PPS, o Cidadania incorporou nomes de três dos principais grupos de renovação política - Livres, Acredito e Agora!. Por essa proximidade, é considerado, até o momento, um provável destino para uma experiência eleitoral do "novo centro".

No campo teórico, a defesa do "liberalismo progressista" tem sido apresentada como uma recuperação do centro político do País que, mais identificado com a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), fracassou na eleição presidencial do ano passado. "Dos liberais reformistas aos militantes da centro-esquerda, esse eixo da política brasileira está se recompondo", disse Hartung ao jornal o Estado de S. Paulo.

Para Huck, "o povo está cada vez com mais dificuldade em rotular as posturas e pensamentos entre direita, esquerda ou centro". Mas é preciso "chutar com as duas pernas". "Enxergo a eficiência da agenda liberal e do Estado no tamanho necessário, sempre atribuída ao pensamento de direita, como o melhor caminho. Ao mesmo tempo, o olhar social, inclusivo e de redução de desigualdades, sempre atribuído à esquerda, é prioridade absoluta se quisermos colocar o Brasil em outro nível de desenvolvimento econômico e social", afirmou.