SEGURANÇA

  • 06/09/2019 (19:30:34)

  • GZH

  • Fotógrafo: Polícia Civil /Divulgação

INVESTIGAÇÃO

Enfermeiro e técnica de enfermagem são investigados por desviar morfina de três hospitais da Região Metropolitana

Polícia procura saber para que os suspeitos estariam furtando o sedativo e outros medicamentos controlados

Um casal, formado por um enfermeiro e uma técnica de enfermagem, é investigado pela Polícia Civil por desvio de medicamentos e equipamentos cirúrgicos dos hospitais em que trabalha — dois em Porto Alegre e um em Canoas. Em duas ações recentes, a polícia encontrou em poder dos dois dezenas de ampolas de substâncias de uso restrito e alto poder analgésico, como morfina. 


Sedativos e outras substâncias foram encontrados com enfermeiro e esposa em Cachoeirinha, na Região Metropolitana

A investigação começou em 28 de julho. Naquele dia, em uma ação de rotina, a Brigada Militar (BM) fiscalizou o carro do enfermeiro em uma rua de Cachoeirinha, na Região Metropolitana. 

Localizou alguns medicamentos de uso controlado e marca-passos com nomes de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O homem negou que havia furtado o material e declarou que eram sobras dos hospitais em que atua. A situação causou estranheza aos policiais militares, que registraram o ocorrido na 1ª Delegacia de Polícia. 


Marca-passos de pacientes do SUS estavam na casa de investigados por desvios


Um inquérito foi instaurado para apurar a situação. O delegado Leonel Baldasso chamou representantes de hospitais para prestar depoimento e entender se era possível um funcionário ficar com sobras de medicamentos controlados. Um dos diretores declarou que era impossível, e que, na verdade, um crime estaria ocorrendo. O outro hospital ainda não respondeu os ofícios encaminhados pela polícia. 

Os agentes prosseguiram a investigação e obtiveram a autorização da Justiça para revistar a casa dos investigados, no bairro Cohab, também em Cachoeirinha. Novamente, mais morfina e outras substâncias foram localizadas. 

— Nos causou estranheza de novo. Havia medicamentos na casa, em armários, e também na bolsa da mulher  — afirmou Baldasso. 

                             Demais medicamentos encontrados

Com as novas apreensões, a polícia decidiu aprofundar a apuração. O delegado quer entender o que os investigados faziam com os medicamentos. Há três hipóteses apuradas: a venda os remédios, o uso para confeccionar drogas sintéticas ou a utilização em cirurgias clandestinas. 

Além disso, a polícia vai fazer um pente-fino no prontuário de todos os pacientes que o enfermeiro atendeu na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em que trabalha. O objetivo é descobrir se não houve fraude contra pessoas internadas. 

— Ele pode ter declarado no documento que administrou o remédio no paciente e, na verdade, ter desviado para o próprio bolso. Vamos olhar no período de um ano todos os pacientes, especialmente os que vieram a falecer, para confirmar ou não essa hipótese. É uma possibilidade gravíssima — comentou o delegado.   

O enfermeiro, de 26 anos, e a esposa, de 27, não tiveram os nomes revelados pela polícia para não atrapalhar a investigação, que corre em sigilo por furto qualificado. Caso confirmado que eles vendiam, podem ser indiciados por tráfico de drogas. Os nomes dos hospitais também são mantidos reservados porque o delegado entende que são vítimas e estão auxiliando na apuração.

Os medicamentos localizados foram encaminhados à perícia  para confirmar se a substância descrita na ampola é a que está dentro do recipiente.