CIDADE

  • 09/09/2019 (19:25:30)

DESCOBERTA

Arquipélago com praias e rios, 3 vezes maior que o estado do RJ é encontrado submerso no Rio Grande do Sul

Os resultados da viagem foram detalhados em um artigo publicado em maio na revista científica Frontiers in Marine Science.


Até afundar no oceano Atlântico, há cerca de 40 milhões de anos, a Elevação do Rio Grande, a maior cadeia montanhosa submersa da margem continental brasileira, deve ter sido um arquipélago com acidentes geográficos como os encontrados hoje ao longo do litoral.

Em uma expedição com o navio de pesquisa Alpha Crucis em janeiro e fevereiro de 2018, uma equipe do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) mapeou os topos aplainados da elevação e identificou terraços marinhos dispostos em degraus, com canais fluviais, dunas, cavernas e resquícios de manguezais. As dragas trouxeram à tona amostras de rochas vulcânicas e corais e esponjas que cresciam nas paredes de uma fenda que corta o centro das três partes da elevação. Os resultados da viagem foram detalhados em um artigo publicado em maio na revista científica Frontiers in Marine Science.

Situada a 1.300 quilômetros (km) de Porto Alegre, com cerca de 150 mil km2, o equivalente a três vezes a área do estado do Rio de Janeiro, e profundidades que variam de 700 a 2 mil metros (m), a Elevação do Rio Grande tem sido mais estudada nos últimos anos por causa de seu valor econômico. Em 2015, a Autoridade Internacional do Fundo Marinho (ISA) concedeu à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o direito de investigar por 15 anos as possibilidades de exploração econômica das crostas de ferro e manganês das rochas da elevação, ricas em cobalto, níquel, molibdênio, nióbio, platina, titânio, telúrio e outros elementos químicos.

Em um levantamento preliminar, apresentado em um congresso de 2015 na Flórida, Estados Unidos, a CPRM relatou a identificação de 9.729 km2 com alta reflectância (reflexo da radiação), indicando a provável ocorrência de crostas de ferro e manganês. Em dezembro de 2018, o governo brasileiro solicitou à Organização das Nações Unidas a ampliação da plataforma continental para além das 200 milhas marítimas (370 km) para incluir a elevação.