ESTADO

  • 09/10/2019 (14:31:18)

  • G1

COVARDIA

​Jovem surdo é amarrado com sacos plásticos e filmado por colegas de supermercado

A Polícia investiga o caso que é tratado como de "tortura e injúria".As imagens foram repassadas por WhatsApp.


A Polícia Civil investiga duas pessoas suspeitas de tortura e injúria a um colega surdo, de 22 anos, em um supermercado, em Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul. O caso aconteceu no dia 26 de setembro.

De acordo com o delegado Vitor Carnaúba, os dois funcionários do Supermercado Andreazza amarraram com sacos plásticos os braços do jovem a um corrimão e gravaram um vídeo. As imagens foram repassadas por WhatsApp. Os três trabalhavam no local.

"As testemunhas ouvidas disseram que eles sempre faziam gozação e brincadeiras, mas dessa vez passaram dos limites", contou.

Em nota, o Grupo Andreazza disse que repudia o fato e que ele não é "condizente com o posicionamento do Grupo". Os dois funcionários que cometeram as agressões foram demitidos. A empresa informou que está dando apoio ao jovem. 

Nota do Grupo Andreazza

O Grupo Andreazza tem sua trajetória marcada pelo respeito à diversidade e dignidade humana. Acreditamos na boa convivência das diferenças como parte essencial na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Com relação aos eventos lamentáveis ocorridos em nossa unidade no bairro Lourdes, em Caxias do Sul, expressamos nosso total repúdio. Esse caso, nada condizente com o posicionamento do Grupo, já recebeu nossa devida atenção, e acompanhamos de perto desde que dele tomamos conhecimento.

Informamos que a responsabilidade pelo fato já foi apurada e os envolvidos desligados da nossa empresa, bem como nossa solidariedade e suporte ao funcionário acometido por ela, além de sua família.

Desde 2009, o Grupo Andreazza contrata e acolhe pessoas com deficiência (PcD), sempre atento às necessidades específicas e à satisfação de cada um. Premiado e amplamente reconhecido, o programa “Eficiência em Ação” desenvolve a criatividade, o trabalho em equipe e as habilidades dos funcionários com deficiência, além de disseminar em todo Grupo a importância do respeito à diversidade.

Grupo Andreazza reforça seu comprometimento com o bem-estar de funcionários, fornecedores e clientes que nos visitam todos os dias. Ainda, nos colocamos à disposição das autoridades competentes para possíveis esclarecimentos complementares. 

O jovem passou por exame de corpo de delito e um inquérito policial foi aberto. "Ele apresentava pequenas marcas nos punhos", esclareceu o delegado.

A mãe do jovem registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento de Caxias do Sul. Na denúncia, ela confirmou que o filho, que trabalha há mais de cinco anos no local, era frequentemente vítima de "brincadeiras de mau gosto".

"Recebemos as imagens, já ouvimos testemunhas e identificamos os dois suspeitos. Agora, eles serão ouvidos. Não houve flagrante", disse o delegado.

Segundo a Gerência do Trabalho de Caxias do Sul, a empresa não será responsabilizada porque agiu de forma correta.

Em entrevista ao Jornal O Pioneiro de Caxias do Sul a mãe do jovem conta que “ele está muito deprimido, magoado com a situação, abraça a gente toda hora”, diz ela. Além da surdez, ele também é cego de um olho, mas se comunica por libras e gosta muito de desenhar, então se comunica através dos desenhos também.

Para a mãe, o jovem relatou que sempre estavam rindo e fazendo deboche dele. Antes era feliz trabalhando ali, mas agora não quer mais ir trabalhar.