ESTADO

  • 17/10/2019 (16:17:11)

  • GZH

  • Fotógrafo: Lucas Amorelli / Agencia RBS

SUSTO

De volta ao quartel, Bombeiros falaram sobre os momentos de tensão que viveram

Pane em motor de bote e forte correnteza impediram equipe de retornar ao ponto de encontro durante trabalhos de busca a jovem desaparecido


O sargento Luciano Maier Rodrigues, natural de Caxias do Sul, 44 anos, o soldado Emérson Simonioni Ribeiro, 27 anos, de Vacaria, e o soldado Douglas Flores Vaz, 28 anos, de São Marcos, passaram por momentos de tensão entre a tarde de quarta (16) e a manhã desta quinta-feira (17). Os três, que participavam das buscas ao adolescente Victor Garcia Maciel, 15 anos, que morreu afogado no Rio da Antas, em Flores da Cunha, ficaram num bote nas águas do rio durante a noite.

Uma pane na embarcação, aliada à correnteza, fez com que a equipe não conseguisse voltar ao ponto de encontro, na Capela Santo Antônio, em Flores da Cunha. Abatidos e cansados, os três foram resgatados por volta das 8h30min, no limite entre Nova Pádua e Nova Roma do Sul.

A experiência e a certeza de que seriam encontrados no segundo ponto de encontro na hidrelétrica Castro Alves, ajudou a manter a calma.

— Um dos treinamentos dos bombeiros é passar a noite na água, mas nunca passei por momentos assim. Tem um ditado que diz: quando estiver perdido, se oriente, mantenha a calma e se alimente. Foi o que fizemos.

Mesmo com a experiência, ele admite que viveram momentos tensos:

— Optamos por manter a energia, então passamos a noite remando. Durante a madrugada, a temperatura baixou muito. Assim que um sentia frio, o outro assumia o remo para nos mantermos aquecidos. Foram os piores momentos que passamos — conta.

Segundo Rodrigues, até havia a possibilidade de parar na margem para passar a noite, mas eles optaram por seguir remando devido à necessidade de se manterem aquecidos. Ao todo, eles se deslocaram pelo menos 15 quilômetros entre o local das buscas e a hidrelétrica.

Experiente, com 20 anos de serviço militar, ele atua em Vacaria. Ao lado dele, no bote, dois jovens que entraram na última turma.

— Foi um trabalho de equipe. Nosso objetivo era resgatar o jovem que estava desaparecido. Graças a Deus voltamos bem para casa — desabafa.

Os três passaram cerca de 12h remando para se manterem aquecidos. Eles chegaram ao quartel de Flores da Cunha, por volta das 10h30min.

Comandante comemora ação

O tenente-coronel Julimar Fortes Pinheiro, responsável pelo 5º Batalhão de Bombeiros Militar (5° BBM), afirma que a experiência da equipe, principalmente do sargento, foi essencial para que tudo corresse bem.

— A suposição de que estavam bem e vivos é porque sabemos que são experientes e especialistas em resgates. Eles estavam com equipamentos de proteção individual, em um bote adequado, mas havia a dificuldade de comunicação.

O comandante ressalta ainda que o rio cheio e a correnteza forte, que prejudicou as buscas ao adolescente, também refletiu no retorno da equipe, que enfrentou uma pane na embarcação.

— Existiu a preocupação, é claro. Eles são preparados, e são oficiais que estavam exercendo a profissão, mas acima de tudo são seres humanos, que têm famílias, e que atuam para proteger e salvar vidas.