SEGURANÇA

  • 29/11/2019 (09:49:23)

  • Gazeta do Sul

  • Fotógrafo: Fernanda Szczecinski/Gazeta do Sul

SANTA CRUZ DO SUL

Crianças ingeriram veneno de rato achando que era chocolate em creche de Santa Cruz do Sul

Caso aconteceu nessa segunda-feira na EMEI Vila Nova, no Bairro Santo Antônio. Pelo menos cinco alunos ingeriram a substância


Uma brincadeira de criança terminou na emergência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Esmeralda nessa segunda-feira, 25. Cinco crianças da Escola Municipal de Ensino Infantil (EMEI) Vila Nova, no Bairro Esmeralda, estariam na pátio do educandário quando encontraram uma quantia de veneno de rato. Confundindo a substância com chocolate, elas ingeriram o tóxico e precisaram ser socorridas.  

O caso foi relatado à reportagem na tarde de ontem pelo pai de um aluno, que não quis se identificar. Ele é taxista e estava em casa com a esposa por volta das 13h30 dessa segunda quando professoras da EMEI chegaram até a residência informando que o filho dele, de 4 anos, havia sido levado para a UPA, pois teria colocado uma substância na boca. O pai só foi informado de que se tratava de veneno na unidade de saúde.  

“Não sei se não quiseram nos assustar, mas só nos informaram lá e nos deram toda a assistência”, relatou. De acordo com ele, a escola não detalhou onde estava o veneno nem como as crianças tiveram acesso ao material. “A escola não falou oficialmente, mas fiquei sabendo por outras pessoas que estava no pátio. Meu filho falou que achou que era chocolate, e por isso colocou na boca. Ele pode ter sido um dos (alunos) que não ingeriram, mas estamos supervisionando”, contou.  

De acordo com o pai, o menino está afastado da escola desde segunda-feira, e foi orientado a retornar hoje. No entanto, ele pretende levar o filho somente na segunda-feira da semana que vem, dia 2, depois de consultar com um médico particular e conversar com a direção da escola e a Secretaria de Educação do município. “Eles nos ligaram essa semana, perguntaram como ele está. Mas estamos com medo de que aconteça de novo. Imagina se ele vem para casa e tivesse dado uma reação, íamos levar ele na UPA e iam achar que a gente envenenou nosso filho”, comentou. Ainda segundo o pai, o menino precisou ir diariamente na UPA, até ontem, para fazer coletas de sangue.

Insegurança entre os pais  

 A mãe de uma outra criança que estuda na EMEI, e preferiu não se identificar, disse que está insegura em relação à escola. “Meu filho não chegou a ingerir o veneno. Mas eles são crianças, então eles são curiosos. Fico muito preocupada com essa situação e estou pensando seriamente em não deixar ele ir mais até o fim do ano, já que esse era o último ano dele na creche”, contou.

Aluno precisou passar por lavagem estomacal  

 Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Ana Nery, que responde também pela comunicação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Esmeralda, cinco crianças com idade entre 3 e 4 anos foram levadas até o local na manhã dessa segunda-feira pelas professoras. Um dos alunos precisou passar por uma lavagem estomacal e os outros tomaram medicação via oral. Todos também receberam medicação intramuscular (via injeção).  Por orientação médica, as crianças ainda foram submetidas a um acompanhamento por meio de exame de sangue e foram orientadas a voltar nos dias seguintes para dar continuidade ao monitoramento, que encerrou nesta quinta-feira, 28. Nenhuma das crianças apresentou alteração. Ainda conforme a assessoria, outros dois alunos da EMEI foram levados até a UPA, na segunda-feira à noite, pelos pais. Eles receberam o mesmo atendimento e foram orientadas a retornar para o acompanhamento, mas não compareceram.

Contraponto  

 A Secretaria de Comunicação do município informou que a Administração Municipal está apurando os fatos, mas não irá se manifestar sobre o assunto. Na tarde desta quinta-feira, 28, a reportagem da Gazeta do Sul também foi até a EMEI, que fica na Rua Helmuth Guilherme Jungblut, e falou com a diretora da instituição, Marlouve Kowalczuk. Ela afirmou que não irá se manifestar sobre o caso. Já a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) afirmou que não há registro da ocorrência.