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Segurança
Agricultor de Carazinho que matou sequestradores em Pelotas fala sobre o sequestro
"Foi o que deu tempo: puxar a arma e salvar minha vida". Seria mais um caso do "golpe do chute", não fosse a reação da vítima, que matou dois assaltantes.
GZH
por  GZH
16/01/2020 22:22 – atualizado há 1 mês
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Um agricultor de 29 anos viajou cerca de 500 quilômetros de Carazinho, no norte do Estado, até Pelotas, onde encontraria um suposto vendedor de um trator. Depois de quatro dias negociando pela internet, ficou combinado que um funcionário esperaria pelo interessado na compra em posto de combustíveis na entrada da cidade no sul do RS. De lá, iriam até a chácara onde estaria o equipamento.

Assim que chegou no local, por volta das 9h de ontem, o agricultor viu um criminoso entrar no seu carro e anunciar o assalto. Por cerca de 20 minutos, o homem permaneceu como refém de sequestradores. Seria mais um caso do golpe do chute (entenda abaixo), não fosse a reação da vítima, que matou dois assaltantes.

— O que chamava atenção naquele trator era o estado. Estava muito bem cuidado. E o vendedor parecia conhecer. Falava da marca, das características. Entendia da questão burocrática de uma negociação. Só que era um valor alto, pediam R$ 210 mil. E eu não queria fechar o negócio sem antes ver o trator — conta o agricultor, que pediu para não ser identificado.

O criminoso obrigou o agricultor a dirigir seu carro — uma Frontier — por cerca de oito quilômetros até que chegaram a uma estrada de chão. No trajeto, conta o homem, o assaltante apontava uma arma para sua cabeça:

— Dizia que ele podia levar tudo que eu tinha. Carro, telefone, dinheiro. Tinha uns R$ 300 comigo. Mas ele só me mandava ficar quieto e ameaçava me matar.

RBS TV / Reprodução

Em determinado ponto da estrada de chão, um segundo criminoso entrou no veículo. Nesse momento, o agricultor teve as mãos amarradas com uma corda, uma camiseta foi colocada no seu rosto e foi obrigado a deitar no banco traseiro. Um dos assaltantes assumiu a direção e o outro sentou ao lado do refém. No caminho, conta o agricultor, a dupla conversava por telefone com uma terceira pessoa e dizia que estariam chegando no lugar combinado.

— Falavam que não queriam o carro. Queriam dinheiro. Mas eu não tinha de onde tirar o valor. A compra seria financiada. Neste momento, vi que não tinha saída. Tinham duas armas apontadas para mim. Iam me matar — relembra.

Para tentar escapar, o agricultor fingiu estar passando mal. Disse aos assaltantes que estava com pressão alta. Os criminosos afrouxaram a corda que amarrava os braços da vítima e arrumaram o pano que tapava seus olhos. Segundo o homem, a intenção era ver se o trinco da porta estava destrancado para, então, se jogar do veículo. Naquele momento, os dois criminosos encontraram, sobre o banco do carona, o registro da arma do agricultor.

— Disse que não tinha arma. Me revistaram, mas mesmo assim não encontraram a pistola na minha cintura. Falei que tinha munição guardada.

Conforme o agricultor, quando o criminoso que estava ao seu lado levantou para verificar o que havia no porta-luvas, ele conseguiu sacar a pistola 380 que carregava na cintura. "Mata que ele vai fugir", teria dito o assaltante que estava na direção do carro ao que estava no banco traseiro. Mas não deu tempo. Antes que os ladrões disparassem, o agricultor conseguiu atirar na cabeça e nos ombros da dupla. O assaltante que dirigia conseguiu descer, correr por alguns metros, até que caiu morto. O agricultor não ficou ferido.

— Foi o que deu tempo de fazer: puxar a arma e salvar minha vida. Sou atirador, mas a gente nunca pensa que vai acontecer uma coisa dessas — conta.

O agricultor explica que treina em estandes há algum tempo, mas que havia comprado a pistola há oito meses. Desde então, nunca havia usado.

— A gente treina sempre na expectativa de não precisar usar. A única coisa que tu pensas numa situação dessas é que vai morrer. Tentei manter a calma. Por mais que sejam duas vidas, é um alívio ver que tu estás em segurança. Tem todo baque, são duas vidas. Mas naquele momento, eu era vítima — conta o homem.

Segundo o delegado plantonista Robertho Peternelli, o agricultor tinha apenas posse da arma e não porte — e deve responder por porte ilegal. Um dos mortos é um jovem de 24 anos. O nome dele não foi divulgado. O outro ainda não havia sido identificado até a publicação desta reportagem.

— Teremos duas investigações. Uma, para apurar os homicídios. Outra, sobre a falsa venda do trator — finalizou o delegado.

Entenda o golpe do chute:

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