EDUCAÇÃO E INOVAÇÃO NO CAMPO
Agronomia da URI aproxima estudantes das tecnologias que estão transformando o agronegócio
Encontros com profissionais do setor apresentaram ferramentas de monitoramento de lavouras e pulverização seletiva, conectando o conhecimento acadêmico às exigências do mercado de trabalho.
A tecnologia está mudando a maneira de produzir no campo. Softwares que auxiliam na tomada de decisões, equipamentos que tornam as aplicações mais precisas e sistemas capazes de transformar dados em informações úteis já fazem parte da rotina de muitas propriedades rurais. Para preparar os futuros profissionais para essa realidade, o curso de Agronomia da URI Erechim promoveu dois encontros com especialistas que atuam diretamente no desenvolvimento e na aplicação dessas soluções.
As atividades, realizadas nos dias 16 e 23 de outubro, proporcionaram aos acadêmicos uma visão prática de como a inovação pode contribuir para melhorar a gestão das lavouras, otimizar operações e qualificar as decisões do produtor rural.
Tecnologia que transforma informações em decisões
O primeiro encontro contou com a participação do engenheiro agrícola Renato Sgarbi, formado pela URI e com MBA em Finanças e Controladoria, e da consultora Daiana Maria Semenuk Jutkovski, graduada em Ciências Contábeis. Ambos integram o Grupo Agros.

Os profissionais apresentaram o software Aquila, ferramenta utilizada no monitoramento de lavouras e integrada aos processos de gestão e operação das propriedades rurais.
Durante a atividade, os estudantes conheceram o funcionamento do sistema, os procedimentos de coleta de amostras no campo e a maneira como os dados são processados para orientar decisões relacionadas à produção agrícola.
Um dos principais pontos destacados pelos convidados foi que a tecnologia precisa responder a problemas concretos enfrentados pelos produtores. Mais do que oferecer ferramentas modernas, a inovação deve contribuir para solucionar dificuldades reais do sistema produtivo.
Os especialistas também reforçaram que, por mais avançado que seja, nenhum software substitui o conhecimento agronômico de quem acompanha a lavoura. A tecnologia organiza informações e amplia a capacidade de análise, mas a interpretação técnica continua sendo indispensável.
Pulverização seletiva e as novas exigências do mercado
Na segunda atividade, realizada na sexta-feira (23), os acadêmicos receberam o administrador Juliano Luppi, diretor comercial da Eirene Solutions, empresa sediada em Porto Alegre e fabricante da tecnologia Savefarm Pulverização Seletiva, com atuação no Brasil e em outros países da América do Sul. Luppi também é fundador da Ruraz Soluções Agrícolas, de Erechim.

O convidado apresentou o funcionamento da pulverização seletiva, tecnologia que permite direcionar aplicações conforme as necessidades identificadas no campo.
Os estudantes conheceram os diferentes cenários de utilização, os parâmetros que precisam ser ajustados pelos operadores e o desempenho dos equipamentos em operações realizadas em diversos estados brasileiros.
Além dos aspectos técnicos, Luppi chamou a atenção para o perfil profissional exigido pelo agronegócio.
Segundo ele, o mercado busca profissionais que combinem conhecimento técnico, capacidade de interpretar dados e domínio de máquinas e equipamentos com habilidades de comunicação, negociação e trabalho em equipe.
Da sala de aula à realidade das propriedades rurais
Para a professora Francine Vogel, responsável pela organização das atividades, os dois encontros abordaram etapas complementares de um mesmo processo: a utilização da informação para orientar decisões e a aplicação dessas decisões diretamente na lavoura.
“Foram duas aulas e dois elos da mesma cadeia: o software que organiza a decisão e o equipamento que a executa no campo, oferecendo aos alunos conteúdo e contato com quem constrói a tecnologia e convive diariamente com o produtor rural”, destacou.
As iniciativas reforçam a importância de aproximar a formação universitária da realidade do agronegócio, permitindo que os estudantes conheçam ferramentas, desafios e oportunidades que encontrarão na vida profissional.
Mais do que acompanhar a evolução tecnológica, o desafio dos futuros agrônomos será saber utilizar essas inovações com conhecimento técnico, visão de gestão e capacidade de tomar decisões que façam diferença nos resultados da produção rural.