Arquivo Histórico realiza força-tarefa para recuperar acervo após danos causados por tempestade

Trabalho de higienização mobiliza voluntários, instituições parceiras e apoio técnico especializado, reforçando o compromisso do Município com a preservação da memória coletiva de Erechim

Por Comunicação PME Publicado em há 7 horas

Cuidar da memória também é uma forma de resistir. Com esse propósito, o Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font segue mobilizado em um amplo processo de recuperação de seu acervo, após os danos causados por uma forte tempestade de granizo que atingiu o prédio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Economia Criativa, no final de novembro.

A intempérie provocou infiltrações e elevada umidade, afetando documentos históricos e, principalmente, coleções de jornais. “As condições geraram mofo e outras alterações físicas nos materiais, exigindo uma resposta imediata e especializada para evitar perdas irreparáveis ao patrimônio documental do município”, explica o coordenador do Arquivo Histórico Municipal, Henrique Trizoto.

Logo após o temporal, nos dias 24 e 25 de novembro, foi realizada uma grande força-tarefa de triagem do acervo atingido. A ação contou com a participação de cerca de 30 voluntários, em sua maioria acadêmicos dos cursos de História e Arquitetura da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), que auxiliaram na identificação, separação e encaminhamento dos materiais danificados. As partes do acervo que não foram atingidas foram realocadas de forma emergencial no Pavilhão do Natal, garantindo maior segurança aos documentos preservados.

Entre as medidas adotadas, aproximadamente 270 caixas de arquivos que estavam molhadas ou úmidas foram substituídas. Já os jornais que apresentavam início de mofo, cerca de 30 volumes, passaram por um processo de congelamento emergencial nos freezers da 19ª Região Tradicionalista, técnica utilizada para conter a proliferação de fungos. Estima-se que cerca de 60% do acervo de jornais tenha sido atingido pela umidade, com maior impacto sobre coleções do Diário de Notícias e do Diário da Manhã.

A situação também motivou a vinda de especialistas para avaliação técnica. No dia 2 de dezembro, o Arquivo Histórico recebeu a visita da coordenadora do Sistema Estadual de Museus do Estado, Giovanna Silveira Santos, do diretor do Departamento de Memória e Patrimônio, Eduardo Hahn e do analista arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE/RS), Renato Savoldi. Já no dia 10 de dezembro, as servidoras do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), Jaqueline Lopes (arquivista) e Nôva Brando (historiadora), estiveram em Erechim para uma visita técnica, oferecendo suporte às ações de recuperação do acervo atingido pelas chuvas torrenciais.

Nesta semana, teve início uma nova e fundamental etapa: a higienização dos documentos. O trabalho é minucioso e delicado, envolvendo a remoção manual de sujeiras e agentes contaminantes, sempre seguindo protocolos técnicos de conservação e com o uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, garantindo a segurança das equipes e dos materiais.

Para reforçar essa fase, o Arquivo Histórico conta novamente com o apoio da UFFS, que disponibilizou quatro estudantes para auxiliar no processo de higienização. A parceria contribui para agilizar os trabalhos e fortalece a integração entre o poder público e a comunidade acadêmica na preservação da história local.

Como parte das ações de qualificação, no dia 21 de janeiro, a historiadora do APERS, Nôva Brando, irá ministrar presencialmente um curso de curta duração sobre noções de conservação documental. A formação abordará temas como a importância da conservação, limpeza mecânica, remoção de fungos, medidas preventivas e o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs).

O secretário de Cultura, Esporte e Economia Criativa, Wallace Soares, destaca a relevância do trabalho em andamento. “O Arquivo Histórico guarda a memória viva de Erechim. Preservar esses documentos é preservar a identidade da nossa comunidade. É um processo longo, que exige técnica, cuidado e responsabilidade, mas absolutamente necessário para garantir o acesso das futuras gerações à nossa história”, afirma.

De acordo com o coordenador Arquivo Histórico Municipal, Henrique Trizoto, a higienização iniciada nesta semana permitirá identificar a quantidade de documentos que não possuem possibilidade de recuperação. A expectativa é de que as perdas não sejam de grande monta, justamente em função da atuação rápida realizada nos dias subsequentes ao temporal, que foi decisiva para atenuar os danos.

Em função das ações de manutenção e recuperação, o atendimento ao público no Arquivo Histórico permanece suspenso por tempo indeterminado, conforme estabelece a Ordem de Serviço Nº 14, de 30 de dezembro de 2025. A previsão é de que, no segundo semestre, seja possível retomar o atendimento de forma parcial. “Agora é o momento de reunir esforços para avançar nas etapas de higienização, conservação e acondicionamento do acervo. Agradecemos o apoio de todos que ajudaram e seguem ajudando e pedimos a compreensão da comunidade que pesquisa e frequenta o Arquivo. Assim que possível, retornaremos à rotina”, reforça Henrique Trizoto.

Fotos: Rafaela Pasquali e Helena Kanieski