CONTAS PÚBLICAS

Arrecadação federal bate recorde histórico e soma R$ 325,7 bilhões em janeiro

Alta real de 3,56% é a maior já registrada para o mês desde 1995 e reforça estratégia do governo de ampliar receitas

Por Redação AU Publicado em há 4 horas

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 325,8 bilhões em janeiro, informou a Receita Federal do Brasil nesta terça-feira (24). O valor representa alta real de 3,56% em relação ao mesmo mês do ano passado e é o maior já registrado para janeiro — e para qualquer mês — desde o início da série histórica, em 1995.

Segundo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o resultado reflete o crescimento da atividade econômica. Mas o desempenho também é impulsionado por uma série de aumentos e recomposições tributárias promovidos nos últimos anos, evidenciando a forte aposta da gestão federal no aumento da carga arrecadatória para equilibrar as contas públicas.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Entre os destaques está o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital, que arrecadou R$ 14,68 bilhões, com alta real de 32,56%. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) somou R$ 8 bilhões, crescimento expressivo de 49,05% após elevação das alíquotas. Já a taxação das apostas online gerou R$ 1,5 bilhão no mês.

A arrecadação previdenciária atingiu R$ 63,45 bilhões (+5,48%), enquanto PIS/Pasep e Cofins somaram R$ 56 bilhões, avanço de 4,35%, impulsionados pelo aumento nas vendas e no volume de serviços. O resultado também foi reforçado por medidas como tributação de fundos exclusivos e offshores, retomada de impostos sobre combustíveis, imposto sobre encomendas internacionais, reoneração gradual da folha de pagamentos e o fim de benefícios ao setor de eventos.

O governo conta com a elevação da arrecadação para cumprir a meta fiscal de 2026, que prevê superávit de 0,25% do PIB — cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, há margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, além da possibilidade de exclusão de até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo oficial, como precatórios.

Com a sequência de ajustes tributários e novas fontes de receita, especialistas apontam que o aumento da arrecadação tem sido um dos principais pilares da política econômica atual — estratégia vista por críticos como reflexo da crescente pressão do governo por mais impostos para sustentar o equilíbrio fiscal.

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