Banco Central reduz Selic para 14% ao ano e realiza quarto corte consecutivo dos juros

Decisão do Copom busca controlar a inflação sem comprometer o crescimento da economia e pode abrir caminho para crédito mais barato e maior estímulo ao consumo.

Por Redação/Agência Brasil Publicado em há 9 horas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (5) uma nova redução na Taxa Selic. A taxa básica de juros da economia brasileira caiu de 14,25% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo promovido pela autoridade monetária.

A decisão representa mais um passo na estratégia do Banco Central para equilibrar o combate à inflação sem frear excessivamente a economia. Na prática, a redução dos juros abre espaço para crédito mais acessível, pode estimular o consumo, incentivar investimentos e favorecer a geração de empregos, embora seus efeitos ocorram de forma gradual.

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros permanecem elevados, financiamentos, empréstimos e compras parceladas ficam mais caros, reduzindo o consumo das famílias e desacelerando a atividade econômica. Já a queda da taxa tende a aliviar o custo do crédito, fortalecendo a economia e ampliando a confiança de consumidores e empresas.

Em comunicado, o Banco Central afirmou que o novo corte de 0,25 ponto percentual está alinhado à estratégia de conduzir a inflação para a meta estabelecida, preservando a estabilidade dos preços e, ao mesmo tempo, reduzindo as oscilações da atividade econômica e estimulando o emprego.

Apesar do avanço, o cenário ainda exige cautela. A instituição destacou que as incertezas internacionais continuam pressionando os mercados, especialmente diante dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre os rumos da política monetária em economias desenvolvidas. Esse ambiente aumenta a volatilidade dos preços de ativos e commodities, exigindo prudência de países emergentes, como o Brasil.

No cenário interno, o Banco Central avalia que a economia brasileira segue resiliente, embora apresente sinais de desaceleração gradual. O mercado de trabalho continua aquecido, enquanto diferentes setores mostram comportamentos distintos.

Os indicadores mais recentes também apontam uma desaceleração da inflação. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou alta de apenas 0,06% em julho, abaixo dos 0,41% registrados em junho. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,52%, ainda ligeiramente acima do teto da meta de inflação, fixada em 4,5%.

A trajetória da Selic mostra uma mudança importante na política monetária. Após permanecer em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas — entre junho de 2025 e março deste ano, o Banco Central iniciou um ciclo de cortes favorecido pela desaceleração da inflação. No entanto, fatores externos, como os reflexos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e dos alimentos, ainda limitam a velocidade dessa redução.

Com o novo corte, cresce a expectativa de que o crédito se torne gradualmente mais barato para famílias e empresas, impulsionando investimentos e o consumo. Ainda assim, o Banco Central reforça que os próximos passos dependerão da evolução da inflação e do comportamento da economia nos próximos meses.