SEGURANÇA DIGITAL / MERCADO DE CRIPTOMOEDAS
Binance confirma ciberataque de US$ 6,3 bilhões, o maior da história das criptomoedas
Plataforma informou que conseguiu congelar US$ 3 bilhões em ativos e suspendeu temporariamente depósitos e saques durante as verificações de segurança
A Binance, maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo em volume diário, confirmou nesta sexta-feira, 30 de outubro, um ciberataque que afetou fundos avaliados em quase US$ 6,3 bilhões, cerca de R$ 33 bilhões. Segundo a empresa, US$ 3 bilhões foram congelados para impedir movimentações dos ativos. A ação foi atribuída por analistas ao grupo de hackers TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte.

A confirmação ocorreu após a empresa divulgar informações divergentes sobre a dimensão do ataque. Inicialmente, a Binance informou que o incidente envolvia um único laptop. Com o avanço das investigações, a plataforma identificou outros pontos de violação e ampliou a estimativa do impacto financeiro.
Segundo a empresa, os depósitos e saques foram suspensos temporariamente enquanto as equipes realizavam verificações de segurança, rastreavam ativos e colaboravam com autoridades e empresas especializadas. A Binance também afirmou não ter encontrado evidências de vazamento de chaves privadas das carteiras.
O valor estimado supera em mais de quatro vezes o prejuízo de US$ 1,5 bilhão registrado no ataque à plataforma Bybit, em fevereiro de 2025, até então considerado o maior caso desse tipo no setor de criptomoedas.
A empresa de pesquisa em blockchain TRM Labs afirmou ter alto grau de confiança de que o ataque foi realizado pelo TraderTraitor, grupo associado à Coreia do Norte. A análise levou em conta informações obtidas dentro e fora da blockchain, além de semelhanças com ataques anteriores atribuídos a hackers norte-coreanos.
O grupo é apontado por analistas como parte do Grupo Lazarus, conhecido internacionalmente por operações cibernéticas, incluindo o ataque à Sony Pictures, em 2014.
Empresas bloqueiam bilhões em ativos
A resposta ao ataque envolveu outras empresas do setor. Paolo Ardoino, diretor da Tether, informou que a companhia congelou quase US$ 1,6 bilhão relacionado ao possível ataque. Já Jeremy Allaire, diretor da Circle, afirmou que sua empresa bloqueou mais de US$ 800 milhões em USDC.
A Tether emite o USDT, enquanto a Circle é responsável pelo USDC. As duas criptomoedas são stablecoins, ativos digitais projetados para manter paridade com o dólar americano.
A Binance afirmou que o montante afetado ainda pode aumentar, conforme as equipes rastreiam movimentações e identificam outros ativos relacionados ao incidente.
Mercado reage com queda
A confirmação do ataque provocou queda nos preços da maioria das principais criptomoedas. As stablecoins registraram menor impacto, pois seus valores são vinculados a moedas tradicionais, como o dólar.
O episódio também ampliou as preocupações sobre a segurança das plataformas de ativos digitais. Analistas acompanham os possíveis riscos associados ao avanço da inteligência artificial e ao desenvolvimento de tecnologias capazes de comprometer sistemas de criptografia e proteção de dados.