ECONOMIA

Brasil segue com 2º maior juro real do mundo mesmo após corte da Selic

Taxa real sobe para 9,51% ao ano e mantém país atrás apenas da Turquia no ranking global

Por Redação AU Publicado em há 10 horas

Apesar do corte na taxa básica de juros (Selic) de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o Brasil segue na segunda posição no ranking mundial de juros reais (descontada a inflação), abaixo apenas da Turquia. A taxa real brasileira passou de 9,23% ao ano, dado do levantamento feito em janeiro, para 9,51% ao ano em março. Na Turquia, os juros reais subiram de 9,88% para 10,38% ao ano no mesmo período, segundo ranking elaborado pelo Portal MoneYou e pela Lev Intelligence.

Nesta quarta-feira (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou a taxa básica de 15% para 14,75% ao ano. A taxa real é uma combinação da inflação projetada para os próximos 12 meses (4,03%), segundo o boletim Focus, do Banco Central (BC), e dos juros de mercado para os 12 meses à frente.

O Brasil possui juros reais mais elevados do que Rússia (9,41%), Argentina (9,41%) e México (5,39%), para citar os países mais próximos no ranking, que reúne 40 economias que possuem uma taxa média de 2,18% ao ano.

Em termos nominais, a taxa brasileira permaneceu em quarto lugar, abaixo de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%), mas acima de Colômbia (10,25%), México (7%) e África do Sul (6,75%).

Apesar da turbulência provocada pela guerra no Irã, o colegiado do BC confirmou o plano traçado no encontro anterior, em janeiro, quando sinalizou a intenção de iniciar a flexibilização da política de juros na reunião de março.

Mas o comitê evitou sinalizar qual será a intensidade dos próximos cortes, citando “forte aumento da incerteza”. A ideia do Copom é ter mais clareza da profundidade e da extensão do conflito no Oriente Médio antes de definir os próximos movimentos.
Votaram 7 dos 9 membros em decisão unânime. Ainda não foram indicados os substitutos dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, disse.

O Copom disse olhar para os impactos futuros do conflito no Oriente Médio, sobretudo os efeitos provocados sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities, que afetam a inflação no Brasil de forma direta e indireta.

De acordo com o colegiado do BC, houve distanciamento adicional das projeções de inflação em relação à meta. No cenário de referência do Copom, a estimativa para este ano saltou de 3,4% para 3,9%. Para o terceiro trimestre de 2027, prazo na mira do comitê, a estimativa subiu de 3,2% para 3,3% —acima do alvo central de 3%. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

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