Cães da Polícia Penal auxiliam em terapias com crianças nas Apaes
Parceria em Santa Maria e Canela utiliza cinoterapia para reduzir ansiedade, estimular vínculos e melhorar a interação social de pessoas com deficiência e TEA.
Cães da Polícia Penal atuam não apenas em operações de segurança, como na detecção de drogas e captura de foragidos, mas também em ações sociais por meio da cinoterapia.
Em parceria com as Apaes de Santa Maria e Canela, os canis da 2ª e da 7ª Regiões Penitenciárias realizam sessões semanais de Terapia Facilitada por Cães (TFC) com crianças e adolescentes com deficiência intelectual, múltipla e TEA.
Segundo a psicóloga Thais Reis, da Apae de Canela, a atividade ajuda a reduzir ansiedade e comportamentos repetitivos, melhora a interação social e fortalece vínculos afetivos, gerando benefícios duradouros aos atendidos.
Para atuar como cão de trabalho ou terapeuta, o animal passa por testes comportamentais ao chegar ao canil, que avaliam temperamento, impulsos e aptidões. Os que demonstram perfil para atividades operacionais são treinados para intervenções e detecção.
Já os cães mais dóceis e pacientes, geralmente das raças Golden Retriever e Border Collie, são direcionados à cinoterapia, por apresentarem facilidade de adaptação a diferentes ambientes e pessoas, sem estresse.
Segundo o policial penal Juliano Sousa, da 7ª Região, os primeiros 30 dias — chamados de “janela social” — são decisivos, com exposição a diversos estímulos e convivência com diferentes públicos para avaliar o comportamento e trabalhar a obediência do animal.
Na 7ª Delegacia Penitenciária Regional, o Golden Retriever Stark, de quase dois anos, integra o canil após ser doado ainda filhote por um criadouro de Campo Bom.

O cão atua como terapeuta na Apae de Canela, onde atende cerca de seis crianças por dia, sempre às quartas-feiras, além de participar de atividades com idosos no Grupo de Convivência da instituição.
Stark também realiza interações com alunos da Escola Municipal Especial Rodolfo Schlieper, promovendo momentos de afeto e socialização durante o recreio.
O Canil da 2ª Delegacia Penitenciária Regional, em Santa Maria, conta com a Golden Retriever Galega, de sete anos, e o Border Collie Duti, de sete meses, que participa de treinamento. Os cães atuam todas as terças-feiras no projeto de cinoterapia da Apae do município.

As atividades são planejadas mensalmente entre cinotécnicos e equipe multidisciplinar, com objetivos terapêuticos específicos. Os cães estimulam o desenvolvimento motor, a comunicação e a autonomia das crianças, além de reduzir o estresse e fortalecer vínculos.
No projeto “Cães com Amor”, os grupos participam por cerca de um ano e se formam quando alcançam independência nas atividades. A última formatura ocorreu em 24 de fevereiro, com a presença dos cães.
No canil da 8ª Delegacia Penitenciária Regional, o Border Collie Ragnar, de três anos e meio, atua em ações de cinoterapia em escolas e eventos, com destaque para atendimentos a crianças com TEA. Ele já participou de atividades na Apae de Santa Cruz do Sul.

Segundo o coordenador Diogo Blazak, Ragnar não tinha forte impulso para o faro no início, mas foi treinado para lidar com estímulos e toques, tornando-se apto para o trabalho terapêutico.
O cão integra o projeto “Uma História Boa para Cachorro”, que já alcançou mais de 6 mil crianças com atividades lúdicas voltadas a valores familiares, combate ao racismo e ao bullying, prevenção às drogas e incentivo à educação.
* Com informações da Ascom Polícia Penal