AGRICULTURA

Chuvas persistentes afetam desenvolvimento das lavouras de trigo no Rio Grande do Sul

Excesso de umidade, pouca radiação solar e dificuldade para entrar com máquinas nas áreas cultivadas atrasam o ciclo do trigo; Emater mantém estimativa de produção em 2,2 milhões de toneladas

Por Redação AU/Assessoria Publicado em 23/08/2026 16:55 - Atualizado em 23/08/2026 20:20

As chuvas frequentes das últimas semanas já provocam efeitos sobre parte das lavouras de trigo do Rio Grande do Sul. O excesso de precipitação, a nebulosidade e a baixa incidência de sol reduziram o ritmo de crescimento das plantas e atrasaram o desenvolvimento em algumas áreas. Apesar disso, a Emater mantém a estimativa de produção do Estado em 2,2 milhões de toneladas.

Foto: Embrapa/Divulgação

O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores de trigo do país. No boletim semanal divulgado na sexta-feira (21), a Emater classificou o desenvolvimento das lavouras como regular, mas apontou prejuízos provocados pelas condições meteorológicas.

Mesmo com as limitações, o órgão considera que o potencial produtivo permanece, de forma geral, satisfatório.

A situação exige atenção principalmente por causa da umidade elevada. O ambiente favorece o surgimento e a disseminação de doenças fúngicas, entre elas oídio, manchas foliares e ferrugens. Esses problemas podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade do grão.

Nas áreas que já chegaram à fase de floração, outro problema aparece: o solo encharcado dificulta a entrada de máquinas. Com menos períodos de tempo firme, os produtores também encontram dificuldade para realizar aplicações de fungicidas no momento adequado.

Maior parte das lavouras ainda está em desenvolvimento

Segundo a Emater, 82% das lavouras de trigo do Estado estão em desenvolvimento vegetativo. Outros 14% já chegaram à fase de floração, enquanto 4% estão no período de enchimento de grãos.

O cenário climático também reduziu a taxa de crescimento das plantas em parte das áreas. O risco não se limita ao desenvolvimento atual. Caso as chuvas persistam durante a colheita, a qualidade do trigo também poderá ser afetada.

Produção menor aumenta dependência de importações

A estimativa inicial aponta uma produção gaúcha de 2,2 milhões de toneladas, volume 36,4% inferior ao registrado na temporada anterior. A redução está relacionada, entre outros fatores, à diminuição da área plantada.

No Paraná, outro importante produtor nacional, também há previsão de menor produção. Com isso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que as importações brasileiras de trigo possam alcançar um nível próximo de recorde, ultrapassando 7 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.

A Conab informa ainda que 90,4% da área prevista para o trigo no país já havia sido semeada.

Além da área menor, o mercado acompanha a redução dos investimentos na cultura e os possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre o Sul do Brasil. O comportamento do clima nas próximas semanas será importante não apenas para definir o volume produzido, mas também para a qualidade do trigo que chegará ao mercado.

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