ESPECIAL II— 36 ANOS DE POLÍTICA E DINHEIRO PÚBLICO

De Collor às fraudes no INSS: os escândalos financeiros que marcaram os governos brasileiros desde 1990

Em 36 anos, o Brasil passou por impeachment, CPIs, denúncias de compra de votos, desvios em obras, fraudes em licitações, Mensalão, Lava Jato, orçamento secreto e descontos indevidos de aposentados. O AU revisita os principais casos, os valores envolvidos e, principalmente, como cada episódio terminou — ou ainda está sendo investigado.

Por Redação AU Publicado em há 6 horas

O Brasil que foi às urnas em 1989 para escolher diretamente um presidente da República depois de quase três décadas não demorou a descobrir que a retomada plena da democracia também colocaria as instituições diante de outro desafio: investigar quem exercia o poder.

Desde a posse de Fernando Collor, em março de 1990, escândalos envolvendo dinheiro público, financiamento político, bancos, grandes obras, estatais, emendas parlamentares e contratos governamentais atravessaram diferentes administrações.

Nenhum partido deteve exclusividade sobre as denúncias.

Nesse período, o país teve presidentes de diferentes campos políticos, assistiu a dois processos de impeachment, criou CPIs que paralisaram Brasília, viu empresários e políticos presos e acompanhou julgamentos históricos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas a passagem do tempo também mostrou algo que muitas vezes desaparece no debate político: denúncia, investigação, indiciamento e condenação são situações completamente diferentes.

Houve escândalos que terminaram em condenações. Outros foram arquivados. Pessoas inicialmente acusadas foram absolvidas. Condenações foram posteriormente anuladas. E há investigações que, em 2026, continuam abertas.

ITAMAR FRANCO | 1992–1994

Anões do Orçamento expõem esquema dentro do Congresso

Foto: Getúlio Gurgel/PR

Itamar Franco assumiu definitivamente a Presidência após a saída de Collor.

Em 1993, outro escândalo atingiu Brasília. Desta vez, o centro da crise estava principalmente no próprio Congresso Nacional.

A CPI dos Anões do Orçamento investigou a manipulação de emendas parlamentares e recursos da União.

O esquema envolvia direcionamento de dinheiro para entidades e empresas beneficiadas por parlamentares, com pagamento de propina e outras irregularidades.

A investigação ganhou dimensão nacional depois das revelações do ex-assessor do Senado José Carlos Alves dos Santos.

O apelido “Anões do Orçamento” fazia referência ao grupo de parlamentares com grande influência sobre a Comissão de Orçamento, embora alguns fossem pouco conhecidos nacionalmente.

Como terminou

A CPI produziu pedidos de cassação e consequências concretas no Congresso.

Seis deputados acabaram cassados e outros renunciaram durante o processo para evitar ou antecipar os efeitos políticos das investigações.

O caso também provocou mudanças nas regras de elaboração e fiscalização do Orçamento.

Foto: José Cruz/Agência Senado

É importante registrar que o episódio ocorreu durante o governo Itamar, mas o esquema investigado estava fundamentalmente relacionado ao Congresso e à manipulação das emendas orçamentárias, e não a uma acusação contra o presidente.

Itamar Franco governou o Brasil por pouco mais de dois anos como titular (de dezembro de 1992 a janeiro de 1995), totalizando cerca de 2 anos e 3 meses no cargo após assumir interinamente em outubro. No dia 1º de janeiro de 1995 ele passou a faixa para o Presidente Fernando Henrique Cardoso.

O ex-presidente Itamar Franco era sanador em 2011, quando morreu. Um pedido de aplauso foi aprovado pelo Plenário do Senado, em 2021, quando completou dez anos da morte de Itamar Franco.

Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu em 28 de junho de 1930 e faleceu em 2 de julho de 2011, quando exercia mandato no Senado.

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