EMPREENDEDORISMO | CONHECIMENTO NA PRÁTICA

De Erechim para o Brasil: ACCIE Jovem conhece os bastidores de operação que movimenta 2,5 mil fretes por dia

Visita ao Grupo Transvidal mostrou aos jovens empresários como uma trajetória iniciada em 1998 ganhou escala nacional, incorporou tecnologia e hoje reúne mais de 2 mil profissionais

Por Redação/Maria Lúcia Carraro Smaniotto Publicado em há 8 horas

Uma empresa que nasceu em Erechim, cresceu pelas estradas do Brasil e hoje mantém operações em mais de 250 cidades, com cerca de 2,5 mil fretes movimentados por dia. Foi essa estrutura, normalmente percebida apenas pelos caminhões que cruzam as rodovias, que associados da ACCIE Jovem puderam conhecer por dentro na noite desta terça-feira, 6 de outubro.

A visita técnica ao Grupo Transvidal aproximou jovens empresários de uma trajetória iniciada em 1998 e que, ao longo de quase três décadas, transformou uma operação regional em um negócio de alcance nacional — e, mais recentemente, também internacional.

O grupo foi recebido pela diretora administrativa do Grupo Transvidal, Patrícia Sachet, acompanhada por gerentes e integrantes da equipe.

Na abertura, o presidente da ACCIE Jovem, Gabriel Gaeski Mársico, destacou que as visitas técnicas permitem ir além da teoria, conhecendo decisões, desafios e experiências de empresas que construíram suas trajetórias na região.

O vice-presidente Rodrigo Badalotti ressaltou justamente esse aspecto: o orgulho de acompanhar uma empresa de Erechim conquistando espaço em diferentes regiões do país.

Mais de 2 mil profissionais e 600 conjuntos próprios

Durante a apresentação, Patrícia Sachet mostrou alguns números que ajudam a dimensionar o tamanho alcançado pela operação.

Atualmente, o Grupo Transvidal reúne mais de 2 mil profissionais, entre diretos e indiretos, cerca de 600 conjuntos em frota própria e presença em mais de 250 cidades brasileiras. Em média, são aproximadamente 2,5 mil fretes movimentados diariamente.

A expansão levou a empresa para Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rondônia, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em 2024, o grupo deu outro passo e iniciou sua atuação no transporte internacional.

Hoje, a estrutura reúne diferentes marcas e frentes de negócios, entre elas Transvidal, Vidal Logística, VDA Transportes, VitaSul e Evidal.

Os granéis representam a maior parcela das operações, com transporte de soja, milho, trigo, farelos, sementes e fertilizantes. A empresa também atende os segmentos de líquidos, biodiesel, óleo vegetal, produtos químicos e perigosos, além de produtos acabados.

Por trás dos números, Patrícia destacou um princípio que, segundo ela, a empresa procura preservar mesmo diante do crescimento: relações duradouras com colaboradores, motoristas e clientes.

A ambição para o futuro foi resumida em uma frase: “Não querendo ser a maior, mas querendo ser a melhor.”

Tecnologia entra na boleia


A visita também revelou uma parte menos visível do transporte rodoviário: a estrutura necessária para que milhares de cargas cheguem aos seus destinos diariamente.

Além da frota própria, uma parcela importante dos fretes é realizada por transportadores terceiros. Isso exige cadastramento, conferência de documentação, gerenciamento de riscos e acompanhamento permanente das operações.

E a tecnologia começa a ocupar um espaço cada vez maior nesse processo.

O Grupo Transvidal utiliza inteligência artificial para buscar oportunidades de fretes de retorno, cruzando informações como a localização do motorista, seu destino pretendido e as cargas disponíveis naquela região.

Na prática, a tecnologia pode ajudar a reduzir deslocamentos sem carga, melhorar o aproveitamento dos veículos e aumentar a eficiência da operação.

Segurança antes de colocar a carga na estrada


Outro ponto apresentado aos associados foi a gestão de riscos.

Antes da contratação de transportadores, são analisados documentos, referências profissionais e critérios estabelecidos pelas seguradoras. Dependendo do tipo e do valor da mercadoria, a operação pode envolver rastreamento, definição prévia das rotas e indicação de locais seguros para parada.

São procedimentos que acontecem longe dos olhos de quem vê apenas o caminhão na estrada, mas que fazem parte da rotina de uma operação logística de grande escala.

O desafio continua sendo humano


Mesmo com inteligência artificial, sistemas de monitoramento e investimentos em inovação, um dos principais desafios do transporte continua ligado às pessoas.

Patrícia chamou a atenção para a realidade dos motoristas que passam longos períodos longe de suas famílias e enfrentam diariamente estradas deficientes, falta de locais adequados para descanso e dificuldades de infraestrutura.

“Só quem convive no transporte sabe o que eles passam”, afirmou, ao defender maior respeito e valorização da categoria.

Também foram discutidos problemas de escoamento durante os períodos de safra e as exigências legais e trabalhistas que interferem diretamente na atividade.

Sustentabilidade entrou na conversa. O grupo já investe em geração de energia e acompanha novas tecnologias para o transporte, incluindo caminhões elétricos. Para operações de longa distância, entretanto, a expansão desse modelo ainda esbarra em uma questão prática: a falta de infraestrutura de recarga nas rodovias brasileiras.

Conhecer quem empreende também ensina a empreender


Mais do que observar caminhões, números e sistemas, a visita colocou os associados da ACCIE Jovem diante de uma experiência empresarial construída ao longo de quase três décadas.

Da empresa que iniciou sua trajetória em Erechim em 1998 à operação que hoje alcança centenas de cidades brasileiras, os participantes puderam conhecer decisões, dificuldades, inovação e, principalmente, os bastidores necessários para sustentar o crescimento.

Ao final do encontro, a ACCIE Jovem entregou uma lembrança aos representantes do Grupo Transvidal, enquanto a empresa também presenteou os participantes.

A visita encerrou-se, assim, com uma mensagem que dialoga diretamente com a proposta da ACCIE Jovem: conhecer experiências de quem cresceu, enfrentou desafios e continua inovando pode ajudar a preparar uma nova geração de empreendedores para construir suas próprias trajetórias.