CULTURA | ERECHIM

Depois de dez meses fechado, Centro Cultural 25 de Julho reabre as portas em Erechim

Danificado pelo temporal de granizo de novembro de 2025, um dos principais espaços culturais da região foi recuperado e voltou a receber o público na noite desta segunda-feira (19), com apresentações de dança, teatro, música e exposições.

Por Redação/Comunicação PME Publicado em há 9 horas

Foram quase dez meses de silêncio em um palco que, desde 1983, faz parte da história de Erechim. Na noite desta segunda-feira (19), porém, as luzes voltaram a se acender, a música tomou conta do auditório e o público reencontrou um dos espaços mais importantes da vida cultural do município.

O Centro Cultural 25 de Julho reabriu as portas após uma ampla recuperação dos danos provocados pela tempestade de granizo de 23 de novembro de 2025. A solenidade reuniu artistas, autoridades, produtores culturais e moradores em uma programação marcada pela diversidade de apresentações e pela valorização da memória do espaço.

Mais do que a entrega de um prédio reformado, a noite simbolizou a retomada de um ambiente que, ao longo de mais de quatro décadas, recebeu espetáculos, revelou talentos e proporcionou encontros entre diferentes gerações.

Do estrago provocado pelo granizo à recuperação do patrimônio

A tempestade de novembro do ano passado deixou marcas profundas na estrutura do Centro Cultural. A água atingiu ambientes internos, palco e equipamentos, exigindo uma série de intervenções para que o espaço pudesse voltar a funcionar com segurança.

Durante a reabertura, um vídeo institucional apresentou a trajetória do Centro Cultural e mostrou os trabalhos realizados na recuperação.

Entre as principais melhorias estão a substituição da cobertura por telhas metálicas termoacústicas, a instalação de um novo piso de madeira no palco, a colocação de carpete no auditório e a recuperação e pintura dos ambientes internos.

As poltronas e cortinas passaram por higienização, enquanto o foyer recebeu nova iluminação. O palco também ganhou melhorias na iluminação cênica, fundamentais para a realização de espetáculos.

A obra contemplou ainda uma rampa interna de acessibilidade, serviços na escadaria principal, revisão da climatização e adequações de segurança e prevenção contra incêndios.

Com as intervenções, o Centro Cultural retorna às atividades com melhores condições para receber artistas, equipes técnicas e espectadores.

O palco voltou a contar histórias

A programação artística da noite reuniu diferentes expressões culturais e mostrou a importância do espaço para os talentos de Erechim.

A dança abriu caminho para esse reencontro. O Centro de Belas Artes Oswaldo Engel apresentou a coreografia Corpo Modular, criada pela professora Jéssica Psendziuk Barraso e interpretada pela bailarina Valentina Vitória Zis.

Na sequência, o Block Dance Estúdio levou ao palco De modo subentendido, do professor Arthur dos Santos. O Grupo Bahir completou as apresentações de dança com a coreografia Drakar.

Um dos momentos de maior significado foi o monólogo do ator Rafa Hoss, que deu voz à própria história do Centro Cultural, relembrando os danos provocados pela tempestade.

“Mas, naquela tarde de domingo, a chuva veio com um estrondo forte. A água escorreu pelas minhas paredes, atingiu meu palco, minha iluminação, meu sistema de som...”, dizia um trecho da apresentação.

A interpretação conectou o episódio que provocou o fechamento do espaço à sua trajetória de mais de 40 anos, marcada pela presença de artistas e espectadores.

Arte e memória também ocuparam o foyer

Antes mesmo de entrar no auditório, o público já encontrava manifestações artísticas. O flautista Arthur Bortulini e o violinista Thiago Woicolesko recepcionaram os visitantes com música ao vivo.

O foyer também recebeu exposições que aproximaram a produção artística contemporânea da história de Erechim.

Entre os trabalhos apresentados estavam Pequenas Delicadezas, da artista Maria Emília Bottini, viabilizada pelo Fundo de Apoio às Artes e à Cultura de Erechim, e uma exposição da professora Carla Denize Barreto Bernardi, do Centro de Belas Artes.

A memória do município ganhou espaço com as mostras Cidade que Permanece, do Departamento de Patrimônio Histórico, e Memórias, do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font.

Outro momento especial foi a pintura ao vivo realizada pela artista plástica Maria Paula Giacomini. Sua obra buscou representar não apenas o palco, mas também as pessoas que dão sentido à existência daquele espaço.

“Eu resolvi mostrar as pessoas que estão aqui presentes, porque sem plateia não completa o serviço da arte”, explicou a artista.

“Como é bom ver essa casa viva”, celebra prefeito

A importância da recuperação foi destacada pelas autoridades presentes. O secretário de Cultura, Esporte e Economia Criativa, Wallace Soares, agradeceu às equipes envolvidas e ressaltou que a retomada permitirá ampliar a programação artística e fortalecer a valorização dos talentos locais.

A presidente do Conselho do Centro Cultural 25 de Julho, Marlei Klein, recordou a trajetória do espaço e a participação da Etnia Alemã em sua história. A vereadora Sandra Picoli, representando a Câmara Municipal, também destacou a relevância da recuperação para a comunidade.

O prefeito Paulo Polis lembrou as dificuldades enfrentadas durante o período de fechamento e explicou que a avaliação dos danos revelou a necessidade de investimentos que foram além dos reparos inicialmente previstos.

“Ficar sem o 25 por esses dez meses não foi simples, não foi fácil. Mas sabíamos que precisávamos devolver um espaço ainda melhor”, afirmou.

Ao celebrar a reabertura, o prefeito destacou o significado do retorno das atividades culturais.

“Como é bom retornar a essa casa, como é bom ver essa casa viva. Por aqui continuarão a passar nossos talentos”, declarou.

A música encerrou uma noite de reencontro

Coube à Orquestra de Concertos de Erechim (OCE), sob a regência do maestro Bernardo Grings, encerrar a programação.

A apresentação marcou o retorno dos concertos a um palco que integra a memória cultural de Erechim e de toda a região do Alto Uruguai.

Inaugurado em 1983, o Centro Cultural 25 de Julho volta agora a cumprir sua função de receber espetáculos, incentivar a produção artística e aproximar a comunidade da cultura.

Depois de quase dez meses de portas fechadas, o Centro Cultural voltou a receber aquilo que dá sentido à sua existência: artistas no palco e público na plateia.

Fotos: Valquíria Michelin – Comunicação PME


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