EL NIÑO: Com chuva acima da média, RS amanhece com enchentes em várias cidades
A situação mais crítica ocorre nos vales dos rios Taquari e Caí, que superaram a cota de inundação durante a madrugada e seguem recebendo um enorme volume de água vindo da Serra e dos Campos de Cima da Serra
O Rio Grande do Sul enfrenta nesta quarta-feira (22) a primeira grande enchente provocada pelo fenômeno El Niño, com rios transbordando e deixando um cenário de alerta em diversas regiões do Estado. Após dias de chuva intensa, municípios dos vales, do Centro e do Norte gaúcho amanheceram acompanhando a rápida elevação dos níveis dos rios. Em algumas localidades, o volume de precipitação já ultrapassou o dobro da média histórica de todo o mês de julho.
A situação mais crítica ocorre nos vales dos rios Taquari e Caí, que superaram a cota de inundação durante a madrugada e seguem recebendo um enorme volume de água vindo da Serra e dos Campos de Cima da Serra. Em Muçum, às 8h desta quarta-feira, o Rio Taquari ainda subia 72 centímetros por hora, indicando que a cheia está longe do fim e que a onda de inundação continuará avançando pelo Vale do Taquari ao longo das próximas horas.

No Vale do Caí, a preocupação também cresce. Em São Sebastião do Caí, o rio atingiu 10,8 metros, acima da cota de inundação de 10 metros. Embora o ritmo da elevação tenha diminuído para cerca de 22 centímetros por hora, o nível permanece extremamente alto e deve se manter assim ao longo do dia. Como o Rio Caí responde rapidamente às chuvas que caem na Serra, a tendência agora é que a cheia avance em direção a Montenegro, entre quinta (23) e sexta-feira (24), alcançando depois municípios da Região Metropolitana, como Nova Santa Rita e Canoas, antes de desaguar no Guaíba.
O episódio marca a primeira enchente associada ao El Niño 2026/2027, um cenário que meteorologistas já vinham alertando desde o fim do ano passado. Segundo a MetSul Meteorologia, este é apenas o início de um período que poderá ser marcado por sucessivas cheias no Estado. A expectativa é de que as enchentes se tornem mais frequentes e intensas nos próximos meses, com maior risco entre setembro e dezembro deste ano. Para 2027, o verão também poderá registrar episódios de inundação, enquanto o outono desponta como o período de maior preocupação para o Rio Grande do Sul.
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