Ela disse ter 12 anos, conquistou uma família e acabou condenada pela Justiça
Para o Judiciário, a acusada teria agido conscientemente para induzir e manter as vítimas em erro, utilizando a falsa identidade para obter benefícios. Defesa pretende recorrer.
Uma história que começou com uma aproximação marcada por vulnerabilidade terminou nos tribunais. Uma mulher de 38 anos que, segundo o Poder Judiciário, fingiu ter 12 anos para se aproximar e enganar uma família em Joinville, no Norte de Santa Catarina, foi condenada nesta quinta-feira (20) por estelionato e falsa identidade.
A sentença determinou um ano, seis meses e 10 dias de reclusão, além de quatro meses e 18 dias de detenção. As penas serão cumpridas inicialmente em regime semiaberto, e a decisão manteve a prisão preventiva da ré.
Segundo o entendimento do Judiciário, a mulher criou uma identidade fictícia e permaneceu por aproximadamente 14 meses convivendo com a família, período em que teria sido tratada como filha e recebido moradia, alimentação, medicamentos e outros cuidados.

Identidade falsa e vínculo com a família
De acordo com a sentença, a mulher inicialmente teria se apresentado como adulta. Posteriormente, passou a afirmar que era adolescente e utilizou uma identidade falsa para estreitar os vínculos com a família.
Durante a convivência, relatou situações de vulnerabilidade, incluindo supostos episódios de abuso, problemas de saúde e abandono familiar. A partir dessas informações, conseguiu conquistar a confiança dos integrantes da família e passou a receber suporte integral.
Para o Judiciário, porém, a situação não se tratava apenas de uma história de vulnerabilidade. A acusada teria agido conscientemente para induzir e manter as vítimas em erro, utilizando a falsa identidade para obter benefícios.
Com isso, segundo a decisão, ela teve custeada sua sobrevivência durante o período em que permaneceu na residência.
Provas apresentadas no processo
A condenação levou em consideração diferentes elementos reunidos durante a investigação e o processo. Entre as provas estão:
- laudo do celular apreendido;
- depoimentos das vítimas e testemunhas;
- admissão da acusada de que utilizou nome e idade falsos.
O caso ganhou ainda maior repercussão em razão do vínculo construído durante mais de um ano de convivência. A decisão judicial considerou os impactos emocionais e familiares provocados pela situação.
Defesa pretende recorrer
A defesa de Amanda Maria Souza de Oliveira afirmou, em nota, que discorda da condenação e que adotará imediatamente as medidas legais e os recursos cabíveis nas instâncias superiores.
Segundo os advogados, o objetivo é buscar a reforma da decisão e demonstrar a inocência da ré durante a tramitação dos recursos.
Enquanto o processo segue para as próximas etapas, a sentença de primeira instância considera comprovado que a mulher criou uma identidade falsa e utilizou essa estratégia para conquistar a confiança da família e obter benefícios durante o período de convivência.