ELEIÇÕES 2026 | RENOVAÇÃO NO CONGRESSO
Eleição derruba nomes históricos e impõe derrotas a aliados de Motta e Alcolumbre
Renan Calheiros, Ciro Nogueira, Gleisi Hoffmann e Randolfe Rodrigues ficam fora do Senado; PL elege 19 senadores e terá a maior bancada da Casa a partir de 2027
As urnas deste domingo (4) mexeram com algumas das estruturas mais tradicionais da política brasileira. Lideranças com décadas de presença em Brasília perderam suas disputas, enquanto projetos eleitorais ligados aos presidentes da Câmara e do Senado também foram derrotados em seus estados.

O impacto mais evidente apareceu no Senado. Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Esperidião Amin (PP-SC) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) estão entre os nomes que não conseguiram conquistar uma das 54 cadeiras em disputa. Ao mesmo tempo, o PL elegeu 19 senadores e chegará à próxima legislatura com 28 integrantes, formando a maior bancada da Casa.
Em Alagoas ocorreu uma das mudanças mais significativas. Renan Calheiros deixará o Senado em 2027 depois de 32 anos consecutivos na Casa. Ele recebeu 22,24% dos votos e ficou atrás de Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB), eleitos para as duas vagas do estado. Renan chegou ao Senado em 1995 e presidiu a Casa em quatro oportunidades.
A derrota eleitoral dos Calheiros não parou aí. Renan Filho (MDB) disputou o governo de Alagoas, mas foi superado por JHC (PSDB). No Piauí, outro nome de projeção nacional também perdeu espaço: Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, não conseguiu renovar o mandato de senador. Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) ficaram com as duas vagas.
Santa Catarina também produziu uma troca de gerações e de forças dentro da direita. Esperidião Amin (PP), ex-governador, ex-prefeito de Florianópolis e ex-deputado federal, ficou fora do Senado. As duas cadeiras foram conquistadas por Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL.
Gleisi e Randolfe também ficam fora
No Paraná, Gleisi Hoffmann não conseguiu retornar ao Senado. A ex-ministra e ex-presidente nacional do PT terminou em quarto lugar, com 13,35% dos votos válidos, enquanto Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) conquistaram as duas vagas. Gleisi já havia representado o Paraná no Senado entre 2011 e 2019.
No Amapá, Randolfe Rodrigues (PT), atual líder do governo Lula no Congresso, também perdeu a tentativa de permanecer no Senado. Ele terminou em terceiro, com 18,55%. Rayssa Furlan (Podemos), com 29,98%, e Lucas Barreto (PSD), com 24,22%, foram eleitos.
Os números mostram que a renovação foi além de casos isolados. Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, somente 14 conseguiram renovar o mandato. Com isso, 40 das 54 cadeiras colocadas em disputa serão ocupadas por nomes que não estavam entre os senadores que buscavam permanecer no cargo — uma renovação equivalente a 74% das vagas disputadas.
Derrotas chegam às bases de Motta e Alcolumbre
O resultado também atingiu projetos estaduais ligados aos dois presidentes do Congresso. Na Paraíba, Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, terminou em terceiro na disputa pelo Senado. Recebeu 895.398 votos, ficando atrás de João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo, que conquistaram as vagas.
No Amapá, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), viu seu aliado Clécio Luís perder a disputa pelo governo para Dr. Furlan (PSD). Clécio reuniu uma ampla coligação e também contou com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As derrotas ocorreram em diferentes campos políticos e não permitem uma leitura única das urnas. Mas deixam um dado concreto: nomes com longa trajetória no Congresso e lideranças com forte influência em Brasília não conseguiram transferir essa força política, em diferentes estados, para o resultado eleitoral de 2026.
A nova composição do Senado reforça essa mudança. O PL terá 28 dos 81 senadores a partir de 2027, seguido pelo PT, com nove, e pelo MDB, com oito. A posse dos eleitos está prevista para 1º de fevereiro de 2027.