Estado testa tecnologia inédita com drones para controle biológico do carrapato bovino
Pesquisadores testam produto em Hulha Negra, com tecnologia que pode transformar o controle do parasita no campo
Pesquisadores do governo do Estado testam, no Rio Grande do Sul, um produto biológico inédito para controlar o carrapato bovino com aplicação por drones diretamente nas pastagens. A iniciativa busca substituir o uso de químicos, atuando no ambiente onde o parasita passa a maior parte do ciclo.
Os testes mais recentes ocorreram em Hulha Negra, região com alta infestação, e fazem parte de um projeto do Instituto Desidério Finamor. A proposta representa uma mudança de abordagem no combate ao carrapato.
Atualmente, não existem soluções em larga escala voltadas ao controle do parasita no ambiente, o que reforça o potencial inovador da tecnologia em desenvolvimento.
“A maior parte dos carrapatos está na pastagem, aguardando o hospedeiro. Mesmo assim, o controle segue concentrado no animal”, enfatiza o pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck.

Reck explica que o estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação.
Iniciado no começo de 2025, o projeto está em fase de validação em escala real, com monitoramento contínuo das áreas experimentais. Atualmente, dois tratamentos estão em teste, com avaliação sistemática de custo-benefício. “A previsão é manter os experimentos até julho, quando a chegada do inverno reduz naturalmente a população de carrapatos, permitindo um balanço mais preciso dos resultados”, prevê Reck.
A proposta integra o uso de micro-organismos, já comum na agricultura, ao manejo sanitário animal, focando no controle do carrapato em todo o sistema produtivo, e não apenas no bovino.

O diferencial está na atuação sobre todas as fases do parasita, incluindo sua presença no ambiente e a persistência do agente biológico no solo, em testes próximos à realidade do campo.
A pesquisa, iniciada em 2012, evolui agora para uma nova etapa, ao priorizar o controle ambiental do carrapato, ampliando o alcance das estratégias antes restritas aos animais.
A alta infestação de carrapato bovino no Estado é agravada pelo uso de raças europeias, mais suscetíveis, aliado a condições climáticas favoráveis ao parasita.
Como resultado, há uso intensivo de carrapaticidas químicos, o que acelera a resistência e reduz a eficácia dos produtos ao longo do tempo, criando um ciclo difícil de reverter.
Diante disso, especialistas defendem o avanço de alternativas biológicas, que atendam às exigências de sustentabilidade, reduzam resíduos e fortaleçam a pecuária moderna.