SANIDADE ANIMAL | AVICULTURA EM ALERTA
Foco de doença de Newcastle em Santa Catarina preocupa avicultura gaúcha e acende alerta para exportações
Caso foi confirmado em uma criação comercial de perus no Oeste catarinense. Rio Grande do Sul reforça atenção à biossegurança e aguarda orientações do Ministério da Agricultura sobre possíveis restrições comerciais.
A confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, colocou o setor avícola do Rio Grande do Sul em estado de atenção. A ocorrência foi identificada em um estabelecimento comercial de criação de perus e preocupa especialmente pelo risco de restrições sanitárias e comerciais, que podem atingir a cadeia produtiva de carne de aves.

A situação também merece atenção na região do Alto Uruguai gaúcho, onde a avicultura tem participação importante na economia rural e mantém relações comerciais com frigoríficos e agroindústrias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Após a confirmação do caso pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) informou que trabalhará na adoção das medidas de contingência necessárias para evitar que eventuais embargos comerciais atinjam a produção gaúcha.
O presidente executivo da entidade, José Eduardo dos Santos, reconhece a preocupação, mas considera prematuro estimar os efeitos sobre as exportações.
“Nós avançamos muito, nos últimos 12 meses, no que se refere à regionalização, ou seja, os critérios de distanciamento para definir o que é embargado ou não. Então, nós temos que aguardar as instruções por parte do Ministério da Agricultura e ver aí o que acontece”, afirmou.
A regionalização sanitária permite que restrições comerciais sejam delimitadas conforme a localização dos focos e os protocolos estabelecidos com os países importadores. Isso pode evitar que uma ocorrência localizada provoque a suspensão das exportações de regiões não afetadas.
Biossegurança nas granjas ganha ainda mais importância
Para o dirigente da Asgav, a principal medida de proteção continua sendo a prevenção dentro das propriedades.
“O que nós temos feito e temos que fazer cada vez mais é fortalecer os requisitos e conceitos de biosseguridade nas propriedades. Isso é o nosso escudo”, destacou Santos.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Dependendo da virulência do vírus, pode provocar elevada mortalidade nos plantéis, além de prejuízos à produção.
Por esse motivo, a confirmação de um foco exige medidas de contenção e pode levar países compradores a estabelecer restrições temporárias à importação de produtos avícolas.
O impacto econômico não fica restrito às granjas. Frigoríficos, transportadoras, fornecedores de ração e produtores integrados também podem ser afetados por eventuais mudanças no comércio internacional.
Rio Grande do Sul não tem suspeitas em investigação
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) informou que acompanha a situação em Santa Catarina e mantém a vigilância sanitária no território gaúcho.
Segundo a pasta, não há, neste momento, suspeitas da doença de Newcastle em investigação no Rio Grande do Sul.
O Serviço Veterinário Oficial do Estado atua no atendimento e na investigação de notificações envolvendo aves de produção comercial, criações de subsistência e espécies silvestres.
Esse monitoramento permite identificar possíveis ocorrências e adotar medidas de controle antes que a doença se espalhe.
O secretário estadual da Agricultura, Márcio Madalena, também entrou em contato com o secretário da Agricultura de Santa Catarina, Admir Dalla Cort, e colocou as equipes técnicas e a estrutura do Rio Grande do Sul à disposição para auxiliar nas ações sanitárias.
Propriedade catarinense foi interditada
De acordo com o Ministério da Agricultura, o foco foi identificado durante uma investigação epidemiológica realizada pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina.
A confirmação ocorreu após análise no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como referência internacional para o diagnóstico da doença.
A propriedade atingida foi interditada, e a movimentação de aves foi suspensa.
As ações de controle, contenção e erradicação seguem as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.
Consumo de carne de frango e ovos não oferece risco associado ao foco
Apesar da preocupação sanitária, a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul esclarece que a doença não representa risco de transmissão pelo consumo de carne de aves e ovos.
O problema está relacionado principalmente à saúde dos plantéis, à capacidade de disseminação do vírus e às exigências sanitárias do mercado internacional.
Para os produtores do Alto Uruguai, a orientação é manter rigorosamente os protocolos de biossegurança, controlar o acesso às instalações e comunicar imediatamente aos serviços veterinários oficiais qualquer suspeita de doença nas aves.
A definição sobre eventuais restrições às exportações dependerá das avaliações do Ministério da Agricultura e dos protocolos sanitários mantidos com os países compradores. Até lá, o setor gaúcho acompanha os desdobramentos da ocorrência em Santa Catarina, com atenção especial à preservação do status sanitário do Rio Grande do Sul.

O QUE É?
A doença de Newcastle pode prejudicar seriamente a comercialização da carne de frango porque representa um risco sanitário para a avicultura e pode provocar restrições à exportação de produtos avícolas, mesmo quando a doença é identificada em uma única propriedade.
O principal problema não é a qualidade da carne em si, mas a possibilidade de disseminação do vírus entre as aves e a necessidade de impedir que a doença chegue a outras granjas ou regiões produtoras.
Para o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango do mundo, um foco da doença pode gerar consequências econômicas importantes.
Por que a doença preocupa tanto o setor avícola?
1. Pode provocar embargos comerciais
Quando um foco é confirmado, países compradores podem suspender temporariamente as importações de carne de frango da região afetada ou, dependendo dos acordos sanitários, de uma área mais ampla, podendo chegar a todo o país.
2. Provoca perdas na produção
A doença é altamente contagiosa e, dependendo da virulência do vírus, pode causar mortalidade elevada, queda na produção de ovos e necessidade de eliminação sanitária de aves para controlar o foco.
3. Exige medidas rigorosas de controle
As autoridades sanitárias podem determinar interdição de propriedades, restrições à movimentação de aves e produtos, desinfecção das instalações e vigilância nas granjas próximas.
4. Afeta toda a cadeia produtiva
As consequências podem atingir produtores integrados, frigoríficos, transportadoras, fábricas de rações e empresas exportadoras. Uma restrição comercial prolongada pode gerar excesso de oferta no mercado interno e pressionar os preços pagos aos produtores.
A carne de frango continua segura para consumo?
Sim. A ocorrência de Newcastle não significa que a carne de frango comercializada sob inspeção oficial esteja imprópria para consumo. O foco da preocupação é a saúde das aves e a disseminação do vírus, não uma ameaça alimentar generalizada.
A doença tem importância sanitária e econômica principalmente por sua elevada capacidade de transmissão entre aves.
O que merece atenção agora?
Para o setor produtivo regional, três informações serão decisivas nos próximos dias: a delimitação da área sob controle sanitário, a existência ou não de novos focos e eventuais restrições anunciadas pelos países compradores.
Em resumo: um único foco de Newcastle pode ter repercussões econômicas que ultrapassam a propriedade atingida. Mas a extensão dessas consequências dependerá das medidas sanitárias adotadas e da resposta dos mercados internacionais.