CERCO AO CRIME ORGANIZADO
Grande ofensiva internacional coloca PCC e Comando Vermelho na mira de sanções
Coalizão liderada pelos Estados Unidos inclui as duas maiores facções brasileiras entre 24 organizações alvo de congelamento de bens, restrições de vistos e outras medidas; ação foi articulada pelo governo Donald Trump.
Uma ofensiva internacional contra o crime organizado anunciada nesta terça-feira (22) colocou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) entre os principais alvos de uma nova rodada de sanções coordenadas nas Américas. Segundo informações da CNN Brasil, integrantes do Escudo das Américas assinaram uma declaração para tratar 24 organizações ligadas ao narcotráfico transnacional como ameaças compartilhadas e ampliar a atuação conjunta contra esses grupos.
Na prática, os países signatários declararam a intenção de adotar, dentro de suas próprias legislações e obrigações internacionais, medidas como congelamento de bens, restrições de imigração e vistos para integrantes, associados e apoiadores das organizações. O documento também prevê responsabilização criminal de quem fornecer conscientemente apoio material, inclusive suporte logístico, aos grupos relacionados.

PCC e Comando Vermelho aparecem, respectivamente, nas posições 16 e 17 da relação. A lista reúne ainda organizações como MS-13, Tren de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nueva Generación, Clã do Golfo, ELN e grupos dissidentes das FARC. Ao todo, são 24 organizações com atuação em diferentes países do continente.
Pressão partiu de Trump
A iniciativa ganhou força a partir de um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os integrantes da coalizão adotassem medidas coordenadas contra as organizações classificadas pelos Estados Unidos como narcoterroristas. A reunião ocorreu em Nova York, paralelamente à Assembleia-Geral das Nações Unidas.
A declaração foi assinada por representantes de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. O Brasil não consta entre os signatários, apesar de PCC e CV figurarem entre os grupos diretamente alcançados pela iniciativa.
Escudo quer ampliar ação conjunta
O acordo não se limita às sanções. Os integrantes pretendem levar o tema à Organização dos Estados Americanos (OEA) e solicitar uma reunião de consulta com base no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o Tratado do Rio. A intenção declarada é discutir mecanismos que facilitem ações coletivas contra organizações narcoterroristas.
O Escudo das Américas vem ampliando sua estrutura de cooperação em segurança. Conforme a CNN Brasil, a aliança atua principalmente por meio do compartilhamento de inteligência e de operações militares conjuntas. Colômbia, Equador e Paraguai já aceitaram a presença de tropas norte-americanas em seus territórios dentro de acordos de cooperação, segundo a emissora.
A decisão desta terça-feira acrescenta agora o componente econômico e migratório ao cerco às organizações. Para PCC e Comando Vermelho, significa que integrantes, associados e redes de apoio podem ser alcançados pelas medidas adotadas individualmente pelos países participantes — mesmo sem a adesão do Brasil ao Escudo das Américas.
Fonte: CNN Brasil, com informações da declaração conjunta do Escudo das Américas