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Saúde
Homem de 57 anos recebe o primeiro transplante de pulmão realizado no Paraná
Além da compatibilidade sanguínea, os pulmões doados devem estar sem sinais de infecção ou indícios de lesões por trauma
Paraná Portal
por  Paraná Portal
20/12/2019 14:09 – atualizado há 1 mês
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O pedreiro Reinaldo Ferreira de Goes, de 57 anos, morador da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, foi o primeiro paciente a passar por um transplante de pulmão no Paraná. O procedimento foi realizado no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, também na região metropolitana.

Segundo o Angelina Caron, o órgão foi transportado de helicóptero de Foz do Iguaçu até o hospital e implantado com êxito em Reinaldo, um dos dez pacientes na fila de espera de um órgão em condições adequadas para o procedimento. Uma operação integrada entre a Divisão de Transporte Aéreo da Casa Militar e GOA/PCPR (Grupamento de Operações Aéreas da Polícia Civil do Estado do Paraná) foi responsável pelo translado do pulmão e também de um coração, em apoio à Central de Transplantes.

De acordo com o hospital, o paciente está se recuperando bem após a cirurgia e já respira sem auxílio de equipamentos. Ele permanece em observação e cuidados intensivos na UTI.

Reinaldo é pedreiro de profissão, mas estava há dois anos sem trabalhar, pois necessitava de oxigênio. “Ele teve um enfisema pulmonar que desencadeou esse quadro mais grave de dificuldade de respirar. Tenho cuidado do Reinaldo desde então. A gente estava na fila e colocou na mão de Deus. Foi uma surpresa quando nos ligaram, na terça pela manhã, e viemos da Lapa até o hospital”, conta Valdelice Goes, esposa de Reinaldo. O casal tem quatro filhos e está junto há 27 anos.

Referência Internacional em Transplante

O Hospital Angelina Caron é referência internacional em transplante de órgãos. “Há dois anos nós obtivemos o credenciamento do Ministério da Saúde para esse tipo de transplante, e desde então passamos por vários processos para que hospital e equipe estivessem aptos. Isso incluiu a preparação dos pacientes para a cirurgia. O processo é complexo e tem algumas particularidades fundamentais para a recuperação pós-cirúrgica. Além da compatibilidade sanguínea, os pulmões doados devem estar sem sinais de infecção ou indícios de lesões por trauma”, pontua o médico Frederico Barth, responsável técnico do Serviço de Transplante Pulmonar do HAC

Ainda de acordo com Barth, os pulmões devem ser compatíveis em tamanho com o receptor. “São detalhes fundamentais que apontam para a importância da conscientização em prol da doação de órgãos no Brasil. Todo cidadão que deseja ser um doador deve comunicar sua intenção à família”, enfatiza.

Em 2001 o hospital realizou o primeiro transplante de pâncreas do Paraná, um dos procedimentos mais complexos na área. Dez anos depois, outro marco foi obtido, o que rendeu reconhecimento internacional para o hospital: a primeira realização bem-sucedida, em todo o continente americano, de um transplante de fígado adulto com dois doadores vivos.

O Angelina Caron é um dos principais centros do país, com vasta experiência no transplante renal, pancreático e hepático, com uma média de 300 transplantes a cada ano, sendo cerca de 50 procedimentos renais a cada ano. Em novembro, o hospital atingiu outra marca histórica: transplantou com sucesso seu milésimo rim.

Transplante Pediátrico

Em julho, o Hospital Angelina Caron foi credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar transplantes em pacientes pediátricos em todas as modalidades, em especial fígado e rim, de crianças de quatro meses a 16 anos. Dessa forma, se somou a outros dois hospitais credenciados a realizar transplante infantil na Região Sul.

Segundo o médico João Nicoluzzi, que coordena o Serviço de Transplantes no HAC, os procedimentos pediátricos são uma carência nacional, agravada pela complexidade do transplante conforme a idade do paciente. “Quanto mais velho, mais parecido o organismo é com o dos adultos. Os pacientes pequenos precisam atingir o limite de dez quilos para o transplante. Os casos mais comuns são intra familiares, quando pais doam um rim ou parte do fígado para seus filhos. Doadores adultos de fígado também podem salvar duas vidas infantis, em geral”, detalha o cirurgião, informando serem poucos os casos de doação de órgãos de criança para criança.

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