ECONOMIA | INDÚSTRIA GAÚCHA

Indústria gaúcha recua pelo segundo mês seguido e acumula queda de 3,9% em 2026

Pesquisa da FIERGS aponta redução da produção, das compras industriais e das horas trabalhadas em agosto; faturamento cresceu 2,2%, mas recuperação ainda não se sustenta

Por Redação AU/Assessoria Publicado em 08/10/2026 20:30 - Atualizado em 08/10/2026 22:27

A indústria do Rio Grande do Sul voltou a perder ritmo em agosto. O Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS), divulgado nesta quinta-feira (8) pelo Sistema FIERGS, caiu 1,5% em relação a julho, considerando os dados ajustados sazonalmente. Foi o segundo resultado negativo consecutivo, indicando que a atividade industrial gaúcha ainda encontra dificuldades para retomar o crescimento.

O principal fator para a retração foi a queda de 7,1% nas compras industriais, indicador que ajuda a medir a movimentação das fábricas e a demanda por insumos. As horas trabalhadas na produção diminuíram 2,5%, enquanto a utilização da capacidade instalada recuou 0,8 ponto percentual, ficando em 77,2%.

O emprego industrial apresentou pequena redução de 0,1%, e a massa salarial permaneceu estável.

Na direção contrária, o faturamento real cresceu 2,2%, interrompendo uma sequência de duas quedas. O resultado positivo, porém, não foi suficiente para compensar o desempenho dos demais indicadores.

Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a indústria ainda não conseguiu estabelecer uma recuperação consistente após o enfraquecimento registrado em 2025.

Segundo ele, a redução do ritmo de queda acumulado ao longo de 2026 é um sinal menos negativo, mas não significa que o setor tenha superado as dificuldades.

Bier também aponta fatores que podem comprometer a retomada, como o endividamento de famílias e empresas, a trajetória da dívida pública e os possíveis impactos inflacionários associados ao El Niño.

Indústria produz menos que em 2025

Geração de imagem por IA/AU

Na comparação com agosto do ano passado, a atividade industrial gaúcha apresentou queda de 3,3%.

O recuo foi acompanhado pela redução de 5,5% nas horas trabalhadas na produção, de 4,4% nas compras industriais e de 4,1% no faturamento real.

A utilização da capacidade instalada caiu 1,6 ponto percentual. Também houve redução no emprego, de 1,1%, e na massa salarial real, de 0,9%.

Os números mostram que a perda de atividade não se limita a um único indicador e continua afetando diferentes aspectos da produção industrial.

Queda acumulada perde intensidade, mas permanece elevada

De janeiro a agosto, o IDI-RS acumulou retração de 3,9%.

Apesar do resultado negativo, a intensidade da queda diminuiu ao longo do ano. Em janeiro, a retração acumulada era de 9,2%, diferença de 5,3 pontos percentuais em relação ao índice registrado até agosto.

Ainda assim, todos os componentes analisados pela pesquisa permanecem negativos no acumulado de 2026.

As compras industriais recuaram 7,5%, o faturamento real caiu 6,1% e as horas trabalhadas na produção diminuíram 5,4%.

O emprego industrial apresentou redução de 1%, enquanto a massa salarial caiu 0,9%. A utilização da capacidade instalada teve diminuição de 0,6 ponto percentual.

Máquinas e equipamentos lideram perdas; alimentos e metalurgia crescem

A pesquisa também revela diferenças importantes entre os segmentos industriais.

Dos 15 setores analisados, 11 registraram queda e apenas quatro apresentaram crescimento no acumulado do ano.

Entre os resultados positivos estão a Metalurgia, com avanço de 9,4%, a indústria de Alimentos, com 6,2%, o setor Têxtil, com 4,8%, e o de Móveis, com crescimento de 0,7%.

As maiores retrações ocorreram em Máquinas e equipamentos, com queda de 14%, Borracha e plástico, com redução de 9,1%, Veículos automotores, que recuaram 4,9%, e Couros e calçados, com baixa de 4,6%.

O desempenho desigual entre os setores mostra que, embora algumas atividades consigam ampliar a produção, a maior parte da indústria gaúcha ainda enfrenta um cenário de retração.

Para regiões com forte presença industrial, como Erechim e o Alto Uruguai, os resultados estaduais são uma referência importante para acompanhar o comportamento da economia. A pesquisa, no entanto, não apresenta nesse levantamento um recorte específico do desempenho das indústrias locais.

O desafio para os próximos meses será transformar a desaceleração das perdas em recuperação efetiva da atividade, com reflexos na produção, nos investimentos e na geração de empregos.

Fonte: Sistema FIERGS — Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS), agosto de 2026.

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