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Daniel Torres/UniFAI
Educação
Inspiradas por luta do pai contra o câncer, trigêmeas passam juntas em Medicina
Maria Eduarda, Maria Gabriela e Maria Fernanda Guimarães Cordes, de 17 anos, vão cursar Medicina juntas em Adamantina (SP).
Gazeta do Povo
por  Gazeta do Povo
10/01/2020 07:51 – atualizado há 1 mês
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Não é sempre que irmãos desejam seguir a mesma carreira – ainda mais se estamos falando de trigêmeas. Se almejam um curso concorrido, então, como Medicina, a possibilidade fica ainda mais distante. Mas foi exatamente isso que aconteceu com Maria Eduarda, Maria Gabriela e Maria Fernanda Guimarães Cordes, de 17 anos, que nos próximos meses dão início ao curso no Centro Universitário de Adamantina (UniFAI), no interior de São Paulo. E mais: o que move as meninas é a experiência de ter acompanhado a luta do pai, falecido há cinco anos, contra o câncer.

O resultado da prova, realizada em novembro, foi divulgado na terça-feira (7) e as meninas, que moram em Quatá, se matricularam na quarta-feira (8). Entre as 100 vagas disponíveis, Eduarda foi classificada em 1º lugar, Gabriela em 70º e Fernanda em 78º.

Em família

A atração pela medicina começou com Fernanda. “Quando eu era pequena, brincava com as minhas irmãs, minhas amigas e meus pais de hospital, de ser médica. Isso foi crescendo dentro de mim de uma forma que eu me via fazendo aquilo e cuidando das pessoas”, diz. A situação do pai a confirmou nesse desejo.

“Quando perdemos nosso pai, sofremos muito. Foi uma fase muito difícil. É algo inexplicável, que causa dor na família inteira. Agradeço muito a Deus por ter tido o privilégio de conviver com ele por 11 anos. Ele era uma pessoa muito boa, de um coração imenso. As pessoas aqui em Quatá lembram dele assim”, conta a jovem. “Ver o sofrimento que eu e meus familiares passamos me comoveu ainda mais. Quero ajudar as pessoas a enfrentar esse momento, em que é necessário ter muito apoio”.

Para Gabriela, foi a experiência da família com o pai que lhe despertou o interesse pela área da saúde. “Meus pais nunca esconderam de nós três o que estava acontecendo. Eu até participei das primeiras consultas com meu pai e o acompanhei na primeira cirurgia. Isso tudo foi nos fazendo pensar”, relata. “Ele ficou internado 52 dias e nesse período entendemos melhor como é a vida dos médicos, dos pacientes e das pessoas ao redor. Isso nos motivou a ir para a área da saúde”.

Eduarda confirma: “Nós três começamos a pender pro lado da medicina após acompanhar todo o sofrimento do meu pai. Me sentia impotente por vê-lo naquela situação e não poder ajudá-lo”, conta.

Inicialmente, Gabriela pensava em cursar Farmácia, mas depois optou pelo mesmo caminho que as irmãs. “É muito bom estar junto com as minhas irmãs, porque sempre tivemos uma ligação muito forte”, confessa.

Apoio

A mãe, claro, é só orgulho, embora o valor das mensalidades – R$ 7.990 – preocupe. Por meio do Programa Financeiro de Incentivo Acadêmico (PFIA), criado por uma lei municipal de 2019, as três terão acesso a alguns descontos, por mérito – no caso de Eduarda – e por grupo familiar."

"| Foto: Daniel Torres/UniFAI

Não é sempre que irmãos desejam seguir a mesma carreira – ainda mais se estamos falando de trigêmeas. Se almejam um curso concorrido, então, como Medicina, a possibilidade fica ainda mais distante. Mas foi exatamente isso que aconteceu com Maria Eduarda, Maria Gabriela e Maria Fernanda Guimarães Cordes, de 17 anos, que nos próximos meses dão início ao curso no Centro Universitário de Adamantina (UniFAI), no interior de São Paulo. E mais: o que move as meninas é a experiência de ter acompanhado a luta do pai, falecido há cinco anos, contra o câncer.

O resultado da prova, realizada em novembro, foi divulgado na terça-feira (7) e as meninas, que moram em Quatá, se matricularam na quarta-feira (8). Entre as 100 vagas disponíveis, Eduarda foi classificada em 1º lugar, Gabriela em 70º e Fernanda em 78º.

Em família

A atração pela medicina começou com Fernanda. “Quando eu era pequena, brincava com as minhas irmãs, minhas amigas e meus pais de hospital, de ser médica. Isso foi crescendo dentro de mim de uma forma que eu me via fazendo aquilo e cuidando das pessoas”, diz. A situação do pai a confirmou nesse desejo.

“Quando perdemos nosso pai, sofremos muito. Foi uma fase muito difícil. É algo inexplicável, que causa dor na família inteira. Agradeço muito a Deus por ter tido o privilégio de conviver com ele por 11 anos. Ele era uma pessoa muito boa, de um coração imenso. As pessoas aqui em Quatá lembram dele assim”, conta a jovem. “Ver o sofrimento que eu e meus familiares passamos me comoveu ainda mais. Quero ajudar as pessoas a enfrentar esse momento, em que é necessário ter muito apoio”.

Para Gabriela, foi a experiência da família com o pai que lhe despertou o interesse pela área da saúde. “Meus pais nunca esconderam de nós três o que estava acontecendo. Eu até participei das primeiras consultas com meu pai e o acompanhei na primeira cirurgia. Isso tudo foi nos fazendo pensar”, relata. “Ele ficou internado 52 dias e nesse período entendemos melhor como é a vida dos médicos, dos pacientes e das pessoas ao redor. Isso nos motivou a ir para a área da saúde”.

Eduarda confirma: “Nós três começamos a pender pro lado da medicina após acompanhar todo o sofrimento do meu pai. Me sentia impotente por vê-lo naquela situação e não poder ajudá-lo”, conta.

Inicialmente, Gabriela pensava em cursar Farmácia, mas depois optou pelo mesmo caminho que as irmãs. “É muito bom estar junto com as minhas irmãs, porque sempre tivemos uma ligação muito forte”, confessa.

Apoio

A mãe, claro, é só orgulho, embora o valor das mensalidades – R$ 7.990 – preocupe. Por meio do Programa Financeiro de Incentivo Acadêmico (PFIA), criado por uma lei municipal de 2019, as três terão acesso a alguns descontos, por mérito – no caso de Eduarda – e por grupo familiar.

“Eu estava preparada para pagar uma faculdade de Medicina e agora estamos com as três. Ainda estou meio perdida, mas estamos contando com a ajuda dos tios, dos padrinhos e da avó. Todos estão à disposição para ajudar a realizar o sonho das meninas”, conta a mãe, Ana Alberta. Também, o padrasto, Marcos Rogério Ramello Gazeta, dá todo o apoio.

“Já faz cinco anos que nosso pai faleceu e hoje não dá para dizer que superamos isso, mas vamos suportando e amenizando a dor”, conta Fernanda. “O Marcos apareceu em nossas vidas 3 anos depois. Ele é uma pessoa muito boa, tem um coração gigante e não mede esforços para cuidar de mim e das minhas irmãs, para ajudar a minha mãe e fazer felizes a nós todas”.

A família aposta no sonho das jovens, bem conscientes do propósito que têm ao seguir por esse caminho. “Acho que o importante mesmo é cuidar dos outros, é perceber que aquilo que fazemos é para ajudar as outras pessoas, e não por dinheiro ou status”, afirma Fernanda.

“Em casa o amor ao próximo sempre foi uma virtude muito valorizada e aos poucos a vontade de fazer a diferença foi passando de uma para a outra”, conta Eduarda. “Seguindo essa carreira, esperamos ajudar aqueles que mais precisam sendo o mais humanas possível e realmente fazer a diferença no mundo”.

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