SANIDADE ANIMAL | COMÉRCIO EXTERIOR

México suspende importação de produtos avícolas do Brasil após confirmação de Newcastle em SC

Medida atinge carne de aves, ovos férteis e pintinhos. Governo federal decretou emergência zoossanitária em quatro municípios do Oeste catarinense, onde cerca de 133 propriedades estão sob monitoramento.

Por Redação AU Publicado em 20/10/2026 19:21 - Atualizado em 20/10/2026 22:54

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus no Oeste de Santa Catarina já provoca consequências para as exportações brasileiras. Nesta segunda-feira (19), o México anunciou a suspensão da entrada de produtos avícolas provenientes do Brasil, como medida de proteção ao seu plantel.

A decisão foi comunicada pelo Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do governo mexicano.

A restrição inclui carne de aves, miúdos, subprodutos, ovos férteis e pintinhos com até três dias de vida. Também estão impedidas de ingressar no país aves ornamentais, aves canoras, aves de rapina destinadas ao comércio e aves transportadas como animais de estimação.

O bloqueio vale tanto para operações comerciais quanto para produtos levados por turistas. Segundo as autoridades mexicanas, a medida segue protocolos internacionais de sanidade animal e busca preservar a condição sanitária do país, considerado livre da doença de Newcastle.

A suspensão ocorre após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmar a presença do vírus em uma propriedade rural de Nova Itaberaba, município próximo a Chapecó, no Oeste catarinense.

Emergência sanitária atinge quatro municípios de Santa Catarina

Diante da confirmação, o governo federal decretou, também nesta segunda-feira (19), estado de emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A medida foi oficializada pela Portaria MAPA nº 962, publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O decreto permite ampliar as ações de controle sanitário, com o objetivo de eliminar o foco e impedir que o vírus alcance outras propriedades avícolas.

A confirmação laboratorial ocorreu no domingo (18), após análises de amostras coletadas entre 21 de setembro e 14 de outubro. O caso foi identificado durante atividades de vigilância realizadas pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina.

A proximidade dos municípios atingidos com o Norte do Rio Grande do Sul também coloca o setor avícola do Alto Uruguai em atenção, especialmente pela importância econômica da produção de aves e pela integração das atividades agroindustriais entre os dois estados.

Até o momento, as informações divulgadas pelas autoridades não indicam a identificação de focos da doença em território gaúcho relacionados à ocorrência catarinense.

Granja com 6 mil perus foi interditada

A propriedade onde o vírus foi identificado possui aproximadamente 6 mil perus de corte. Após a confirmação, a granja foi interditada e a movimentação das aves suspensa.

Um detalhe chama a atenção: mesmo com a presença do vírus detectada em laboratório, os animais não apresentavam sinais clínicos da doença, conforme informações do Ministério da Agricultura e de entidades do setor.

Segundo o Mapa, as aves permaneceram na propriedade e não foram encaminhadas para a produção de carne destinada ao consumo.

Entre as providências sanitárias previstas estão a eliminação das aves da granja, seguida da limpeza e desinfecção das instalações. O trabalho é conduzido por equipes federais e estaduais de defesa agropecuária.

O monitoramento também foi ampliado para aproximadamente 133 propriedades localizadas na área de restrição sanitária, abrangendo os quatro municípios catarinenses.

As equipes acompanham as condições dos plantéis, investigam possíveis vínculos epidemiológicos e fiscalizam a movimentação de aves para reduzir o risco de disseminação do vírus.

Exportações brasileiras entram em alerta

A decisão mexicana representa uma consequência comercial imediata da confirmação da doença em Santa Catarina.

Para colocar a suspensão em prática, o Senasica desativou os requisitos zoossanitários que autorizavam a importação dos produtos brasileiros incluídos na medida.

O Ministério da Agricultura informou que está comunicando oficialmente a ocorrência aos parceiros comerciais e apresentando as providências adotadas para o controle do foco.

O impacto sobre as exportações dependerá das exigências sanitárias previstas nos acordos entre o Brasil e cada país importador. Alguns mercados podem adotar restrições nacionais, enquanto outros reconhecem a regionalização sanitária, limitando eventuais bloqueios às áreas afetadas.

Por enquanto, a suspensão anunciada pelo México não significa que os demais compradores internacionais de produtos avícolas brasileiros tenham adotado a mesma medida.

A evolução do quadro sanitário em Santa Catarina e a rapidez das ações de contenção serão determinantes para a avaliação de novas restrições comerciais e para uma eventual retomada das vendas ao mercado mexicano.

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