Muito além do tratamento: pesquisa revela os desafios invisíveis do câncer de próstata

Estudo da URI Erechim mostra que, apesar da eficácia da terapia hormonal, impactos físicos e emocionais exigem um cuidado mais humano e integral com os pacientes.

Por Redação/Ascom URI Publicado em 06/05/2026 09:54 - Atualizado em 06/05/2026 09:57

Mais do que uma pesquisa acadêmica, o trabalho apresentado pelo mestrando Alison Roberto Castanho, da URI Erechim, lança luz sobre uma realidade que impacta diretamente a vida de milhares de homens: como é, de fato, viver o tratamento contra o câncer de próstata. No dia 23 de abril, ele apresentou sua dissertação no Programa de Atenção Integral à Saúde (PPGAIS), revelando não apenas dados, mas histórias traduzidas em números, sentimentos e desafios reais enfrentados por pacientes.

Para chegar a essas respostas, o estudo acompanhou 50 homens durante os primeiros 90 dias de terapia hormonal — um período decisivo, marcado por mudanças físicas e emocionais profundas. Os resultados trazem uma mensagem importante: embora muitos pacientes mantenham uma percepção positiva da própria saúde e apresentem melhora em sintomas urinários, o caminho não é simples. Efeitos como calorões, cansaço, dores, insônia e a diminuição da libido surgem como obstáculos silenciosos, que afetam não só o corpo, mas também a rotina e a autoestima.

Um dos pontos mais sensíveis revelados pela pesquisa está no impacto emocional. Mais do que combater a doença, esses homens enfrentam um processo que exige equilíbrio psicológico, resiliência e suporte constante. Os dados laboratoriais confirmam a eficácia do tratamento — com redução nos níveis de PSA e testosterona —, mas também reforçam que cuidar da saúde vai muito além dos resultados clínicos.

É justamente nesse ponto que o estudo faz seu chamado mais urgente: é preciso olhar para o paciente de forma completa. Segundo a orientadora Helissara Silveira Diefenthaeler, os achados reforçam a necessidade de um cuidado mais humano, que acompanhe cada etapa do tratamento, acolha os efeitos colaterais e ofereça suporte físico e emocional. Porque, no fim, tratar o câncer não é apenas prolongar a vida — é garantir que ela continue sendo vivida com dignidade, qualidade e apoio.