FREE FLOW

Oeste catarinense terá pedágio eletrônico sem praças; cobrança será proporcional ao uso

Pedágio sem filas e sem cabines: entenda como funcionará o free flow e quais rodovias serão afetadas.

Por Redação Publicado em há 1 horas

Os motoristas que circulam pelas rodovias federais do Oeste de Santa Catarina estão mais próximos de uma mudança histórica. A partir de 2027, as tradicionais praças de pedágio podem dar lugar a um sistema totalmente eletrônico, sem cancelas e sem paradas obrigatórias, prometendo mais agilidade, modernização e uma cobrança baseada na distância realmente percorrida.

A previsão do Ministério dos Transportes é que os primeiros pedágios eletrônicos com tecnologia free flow entrem em operação entre maio e junho de 2027 nos lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina. O modelo faz parte do processo de concessão de importantes trechos das BRs-153, 282, 470 e 480, corredores estratégicos para o transporte de pessoas e mercadorias no estado.

Divulgação ANATC

Fim das praças de pedágio

A principal mudança será o desaparecimento das cabines e cancelas que hoje obrigam os motoristas a reduzir a velocidade ou parar para efetuar o pagamento.

No sistema free flow, a cobrança será feita por meio de pórticos eletrônicos equipados com câmeras e sensores capazes de identificar automaticamente cada veículo que passa pela rodovia. O valor será calculado de forma proporcional ao percurso realizado, fazendo com que o usuário pague apenas pelos quilômetros efetivamente utilizados.

Segundo o governo federal, a proposta busca corrigir uma das principais críticas ao modelo tradicional: a cobrança igual para motoristas que percorrem pequenas distâncias e para aqueles que utilizam longos trechos das rodovias.

Como funcionará a cobrança

Motoristas que utilizarem tags eletrônicas terão a passagem registrada automaticamente, sem qualquer necessidade de parada, podendo inclusive ter acesso a condições tarifárias diferenciadas.

Já os condutores que não possuírem o dispositivo serão identificados pela leitura da placa do veículo. Nesse caso, o pagamento deverá ser realizado posteriormente por meio dos canais disponibilizados pela futura concessionária responsável pela administração das rodovias.

Onde estarão os pórticos

O projeto prevê a instalação de 18 estruturas de cobrança ao longo dos lotes 1 e 3.

No Oeste catarinense, os equipamentos deverão ser instalados nos municípios de Concórdia, Joaçaba, Erval Velho, Campos Novos, Água Doce, Irani, Xaxim e Faxinal dos Guedes.

Divulgação/Ministério de Transportes

A definição dos pontos foi baseada em estudos técnicos que avaliaram fluxo de veículos, volume de tráfego e necessidades de mobilidade regional.

Trechos contemplados

Os lotes 1 e 3 somam aproximadamente 683 quilômetros de rodovias federais.

O lote 1 abrange 516,6 quilômetros das BRs-153, 282 e 470, ligando a divisa com o Rio Grande do Sul ao município de Navegantes, no Litoral Norte catarinense.

Já o lote 3 concentra investimentos em 166 quilômetros no Oeste de Santa Catarina, incluindo trechos da BR-153, BR-282 e BR-480, importantes rotas para o desenvolvimento econômico da região.

Projeto ainda pode mudar

Apesar da previsão de implantação em 2027, o modelo ainda não está definido. O projeto permanece em fase de audiência pública, etapa em que cidadãos, entidades e representantes do setor podem apresentar sugestões e questionamentos.

Após a análise das contribuições, o Ministério dos Transportes encaminhará o processo ao Tribunal de Contas da União (TCU), responsável por avaliar a proposta e indicar eventuais ajustes antes da publicação do edital definitivo.

Outro ponto que tem gerado debate é a ausência, até o momento, de descontos específicos para moradores das cidades cortadas pelas rodovias ou benefícios para usuários frequentes.

Nos próximos meses, a discussão deverá avançar e definir como funcionará, na prática, um modelo que promete mudar a forma como milhares de motoristas utilizam as rodovias federais do Oeste catarinense.