CLIMA
ONU faz alerta global: El Niño deve voltar nos próximos meses e pode intensificar eventos extremos
Fenômeno tem 80% de probabilidade de se formar entre junho e agosto; agência da ONU pede preparação urgente para secas, enchentes e ondas de calor
O mundo pode estar diante de um novo período de eventos climáticos extremos. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), emitiu nesta terça-feira (2) um alerta sobre o possível retorno do fenômeno El Niño, que tem potencial para provocar secas severas, enchentes, ondas de calor e outros impactos significativos em diversas regiões do planeta.
Segundo a entidade, há 80% de probabilidade de que o fenômeno se desenvolva entre os meses de junho e agosto deste ano, podendo atingir intensidade moderada a forte. Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de planejamento e medidas preventivas para reduzir riscos à população, à economia e ao meio ambiente.

Em comunicado oficial, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, alertou que os governos precisam agir desde já. Isso porque o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial — característica principal do El Niño — altera os padrões climáticos globais e pode intensificar fenômenos extremos tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.
Embora seja um evento natural, o El Niño tem capacidade de transformar profundamente o comportamento do clima em diferentes partes do mundo. No Brasil, seus efeitos costumam ser sentidos de forma desigual: enquanto a Região Norte enfrenta maior risco de estiagens prolongadas, a Região Sul geralmente registra chuvas acima da média, aumentando o perigo de enchentes e deslizamentos.
A preocupação é ainda maior porque a memória dos impactos recentes permanece viva. O último episódio do fenômeno, em 2024, esteve associado a uma série de eventos que marcaram o país, incluindo a seca histórica na Amazônia, recordes de temperatura, incêndios florestais de grandes proporções e as enchentes que devastaram municípios do Rio Grande do Sul. Muitas famílias e comunidades ainda enfrentam os desafios da reconstrução e da recuperação econômica deixados por aquela tragédia.
Além disso, a ONU alerta que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana podem ampliar os efeitos do El Niño, tornando os eventos extremos mais frequentes, intensos e abrangentes. Esse cenário aumenta a urgência de investimentos em prevenção, monitoramento e sistemas de alerta capazes de proteger vidas e reduzir prejuízos.
Diante da possibilidade de um novo ciclo climático severo, o governo brasileiro já anunciou a criação de um gabinete de crise. A estrutura reunirá órgãos federais e instituições de pesquisa para acompanhar semanalmente a evolução do fenômeno e coordenar ações preventivas em todo o país.
O alerta da ONU deixa uma mensagem clara: embora ainda existam incertezas sobre a intensidade máxima do próximo El Niño, os sinais observados até agora indicam que os próximos meses exigirão atenção redobrada. Preparação, informação e planejamento serão fundamentais para enfrentar os desafios que podem surgir com a chegada de um dos fenômenos climáticos mais influentes do planeta.