CRIME ORGANIZADO
Operação “Ajuste Fino” revela esquema milionário de fraudes e chega a Getúlio Vargas
Força-tarefa entre Ministérios Públicos desmantela cartel de empresários suspeitos de manipular licitações, com ramificações no Norte do Rio Grande do Sul
Na manhã desta quarta-feira (29), uma ofensiva de grande escala colocou em xeque um esquema sofisticado que pode ter causado prejuízos milionários aos cofres públicos. Batizada de “Ajuste Fino”, a operação mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina, com apoio direto do Ministério Público do Rio Grande do Sul, alcançando inclusive o município de Getúlio Vargas.

Ao todo, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em diversas cidades catarinenses e também no Norte gaúcho. O alvo: um grupo de empresários suspeito de atuar de forma coordenada para fraudar licitações públicas, manipulando resultados e simulando uma concorrência que, na prática, não existia.
As investigações apontam para um esquema estruturado e recorrente. Empresas combinavam previamente os preços, definiam quem venceria cada disputa e até se revezavam nos contratos, criando uma falsa aparência de legalidade. Em muitos casos, as propostas apresentadas chegavam a ser até 70% inferiores ao valor de mercado — um indicativo claro de fraude — seguido pelo descumprimento dos contratos firmados.
O que mais chama atenção é o nível de organização: o grupo produzia documentos falsos para comprovar capacidade técnica, emitia notas fiscais irregulares e utilizava estratégias articuladas para enganar a administração pública. O objetivo era um só: garantir vantagens ilícitas enquanto comprometia serviços e desviava recursos que deveriam beneficiar a população.
Durante as apurações, um elemento agravante veio à tona: a suspeita de envolvimento de um servidor público estadual. Segundo o GAECO, ele mantinha contato direto com os empresários e atuava para favorecer o esquema em troca de benefícios pessoais — um elo que pode ter sido decisivo para a continuidade das fraudes.
Em Getúlio Vargas, dois investigados são apontados como integrantes do cartel catarinense. No município, foram cumpridos mandados com o objetivo de recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outras provas que ajudem a esclarecer a extensão da atuação do grupo e identificar possíveis novos envolvidos.
Agora, todo o material apreendido passa por análise minuciosa. A expectativa é aprofundar as investigações, delimitar responsabilidades e avançar na responsabilização criminal dos envolvidos. A Secretaria da Fazenda de Santa Catarina também acompanha o caso, diante de indícios de irregularidades fiscais e administrativas.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), prestou apoio nesta quarta-feira, 29 de abril, ao GAECO do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na Operação Ajuste Fino. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão no município de Getúlio Vargas, no norte gaúcho, contra cartel de empresários organizado para fraudar licitações. Dois investigados gaúchos integram o esquema criminoso catarinense.
“A atuação conjunta entre os GAECOs do MPRS e do MPSC, incluindo o apoio da Brigada Militar aqui no Estado, demonstra a importância da integração institucional no enfrentamento ao crime organizado. Esse trabalho cooperado permite somar esforços, conhecimento técnico e estrutura operacional, garantindo maior eficiência às investigações e melhores resultados para a sociedade”, destacou o coordenador estadual do GAECO/MPRS, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas.