DE COLLOR ÀS FRAUDES DO INSS

PC Farias: o escândalo que levou o governo Collor ao impeachment

Em 36 anos, o Brasil passou por impeachment, CPIs, denúncias de compra de votos, desvios em obras, fraudes em licitações, Mensalão, Lava Jato, orçamento secreto e descontos indevidos de aposentados. O AU revisita os principais casos, os valores envolvidos e, principalmente, como cada episódio terminou — ou ainda está sendo investigado.

Por Redação AU Publicado em 30/08/2026 09:29 - Atualizado em 30/08/2026 10:26
Foto: Ubirajara Dettimar/Presidência da República.

O Brasil que foi às urnas em 1989 para escolher diretamente um presidente da República depois de quase três décadas não demorou a descobrir que a retomada plena da democracia também colocaria as instituições diante de outro desafio: investigar quem exercia o poder. 

Desde a posse de Fernando Collor, em março de 1990, escândalos envolvendo dinheiro público, financiamento político, bancos, grandes obras, estatais, emendas parlamentares e contratos governamentais atravessaram diferentes administrações.

Nenhum partido deteve exclusividade sobre as denúncias.

Nesse período, o país teve presidentes de diferentes campos políticos, assistiu a dois processos de impeachment, criou CPIs que paralisaram Brasília, viu empresários e políticos presos e acompanhou julgamentos históricos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas a passagem do tempo também mostrou algo que muitas vezes desaparece no debate político: denúncia, investigação, indiciamento e condenação são situações completamente diferentes.

Houve escândalos que terminaram em condenações. Outros foram arquivados. Pessoas inicialmente acusadas foram absolvidas. Condenações foram posteriormente anuladas. E há investigações que, em 2026, continuam abertas.

COLLOR | 1990–1992

Foto: Arquivo/Senado

PC Farias e o primeiro grande escândalo da Nova República

Fernando Collor de Mello assumiu a Presidência em 15 de março de 1990. Dois anos depois, seu governo estava mergulhado em uma crise que terminaria com sua saída do Palácio do Planalto. 

Foto: Divulgação/Claudio Versiani

No centro das denúncias estava Paulo César Farias, o PC Farias, tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor em 1989.

As denúncias ganharam força depois que Pedro Collor, irmão do presidente, acusou PC Farias de comandar um esquema de arrecadação irregular e tráfico de influência.

O Congresso instalou uma CPI.

A investigação encontrou movimentações por meio de contas de pessoas usadas como intermediárias e pagamentos relacionados a despesas pessoais do presidente, incluindo gastos na Casa da Dinda, residência da família Collor em Brasília.

A CPI transformou uma crise política em processo de impeachment.

Em setembro de 1992, a Câmara autorizou a abertura do processo. Collor foi afastado.

No dia 29 de dezembro, pouco antes do julgamento no Senado, apresentou sua renúncia.

O processo, porém, continuou, e o Senado determinou sua inabilitação para o exercício de função pública por oito anos.

Como terminou

Há uma distinção histórica importante.

Em 1994, o STF absolveu Collor da acusação de corrupção passiva relacionada ao chamado Esquema PC, por falta de provas suficientes de sua participação nos fatos apresentados naquela ação penal.

A absolvição criminal não anulou o julgamento político realizado pelo Senado nem a pena de inabilitação.

É com essa ressalva que o AU apresenta esta retrospectiva.

O desfecho do caso PC Farias

Quem matou PC Farias ?  A pergunta permanece sem resposta

Não se sabe quem matou Paulo César Farias (o PC Farias), ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello.

O caso permanece cercado por versões conflitantes. PC Farias e sua companheira, Suzana Marcolino, foram encontrados mortos a tiros na madrugada de 23 de junho de 1996, em uma casa de praia em Guaxuma, Maceió.

A primeira versão: um laudo inicial do então Instituto Médico Legal de Alagoas apontou para um crime passional — Suzana teria matado PC Farias e depois cometido suicídio.

A outra hipótese: posteriormente, peritos independentes, entre eles George Sanguinetti e Ricardo Molina, questionaram aspectos da investigação e defenderam a possibilidade de duplo homicídio.

Três décadas depois, a morte de PC Farias permanece como um dos episódios mais controversos associados ao período que levou ao impeachment de Fernando Collor.

Na próxima reportagem

O impeachment de Collor não encerrou a relação entre política, poder e dinheiro público no Brasil. A série avança para o período seguinte e mostra como novos escândalos, personagens e mecanismos passaram a ocupar o centro da vida política nacional.

Termos relacionados