JUSTIÇA | CASO THÉO

Pai que arremessou filho de ponte é condenado a mais de 83 anos de prisão no RS

Crime que chocou o país teve como vítima o pequeno Théo, lançado ainda com vida de uma ponte de aproximadamente 15 metros, em São Gabriel. Para o Ministério Público, a condenação representa uma resposta à violência e um reconhecimento da dor da família.

Por Redação Publicado em 05/11/2026 13:58 - Atualizado em 05/11/2026 14:01

Um crime que provocou indignação, tristeza e comoção em todo o Brasil teve um desfecho importante na Justiça. Pouco mais de um ano após a morte do pequeno Théo, arremessado pelo próprio pai de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel, o Tribunal do Júri condenou o responsável a 83 anos e quatro meses de reclusão, além de dois meses e 20 dias de detenção.

A sentença foi proferida na noite de quarta-feira, 4 de novembro, após um julgamento que se estendeu por aproximadamente 13 horas. O réu, que já estava preso, foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e ameaça. A Justiça determinou o início imediato do cumprimento da pena, em regime fechado, e estabeleceu uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima.

Divulgação MPRS

A decisão representa uma resposta judicial a um dos episódios mais dolorosos de violência contra crianças registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos.

Um crime que teve como alvo uma criança, mas buscava atingir a mãe

Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Théo foi agredido no dia 24 de março de 2025. No dia seguinte, foi levado até uma ponte sobre o Rio Vacacaí e arremessado, ainda com vida, de uma altura aproximada de 15 metros.

A criança morreu em consequência de traumatismo cranioencefálico provocado pela queda.

As investigações apontaram que o crime foi cometido com o objetivo de causar sofrimento à mãe do menino, após o término do relacionamento com o acusado.

A motivação atribuída ao crime evidencia uma forma especialmente cruel de violência: utilizar os próprios filhos como instrumento para atingir emocionalmente o outro responsável.

Julgamento durou cerca de 13 horas

A sessão do Tribunal do Júri começou pouco depois das 10h de quarta-feira, no Fórum de São Gabriel, e terminou por volta das 23h.

Durante o julgamento, foram ouvidas sete pessoas, entre elas a mãe de Théo, também vítima do crime de ameaça. Prestaram depoimento duas testemunhas indicadas pelo Ministério Público, três pela assistência de acusação e uma pela defesa. O réu também foi interrogado.

Após a apresentação das provas e os debates entre acusação e defesa, os jurados decidiram pela condenação.

A acusação foi conduzida pelas promotoras de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho e Graziela Lorenzoni.

Para Maria Fernanda, a decisão ultrapassa o aspecto da punição criminal e representa o reconhecimento da gravidade do sofrimento provocado.

“A condenação representa uma resposta firme da Justiça diante da gravidade da violência praticada contra uma criança e, sobretudo, um reconhecimento da importância da vida de Théo e da dor de sua família”, afirmou.

A promotora Graziela Lorenzoni também destacou a repercussão do caso no debate sobre a violência praticada contra filhos para atingir pais ou mães.

Segundo ela, a morte de Théo esteve entre os episódios que impulsionaram a discussão sobre a criação do crime de vicaricídio no Brasil.

Ministério Público destaca importância da condenação

O julgamento também foi acompanhado pelo coordenador do Centro de Apoio Operacional do Júri (CAOJÚRI), promotor Rafael Russomanno Gonçalves.

Ele ressaltou que a presença institucional do Ministério Público em processos de grande repercussão demonstra a importância atribuída à atuação dos promotores e à resposta da Justiça em casos que afetam profundamente a sociedade.

A condenação não apaga a perda, mas reafirma o valor da vida

A sentença encerra uma etapa importante do processo judicial, mas não elimina a dor de uma família que perdeu uma criança de forma brutal.

O caso de Théo também deixa uma reflexão urgente sobre a violência doméstica e familiar, especialmente quando crianças são utilizadas como instrumentos de vingança após o fim de relacionamentos.

Nenhuma separação, conflito ou ressentimento justifica transformar uma criança em alvo de violência.

A condenação em São Gabriel reafirma a responsabilização criminal por atos dessa gravidade e reforça a necessidade de reconhecer sinais de ameaça, proteger crianças e acolher famílias em situação de risco.

A história de Théo permanece como um doloroso alerta: crianças precisam ser protegidas dos conflitos dos adultos, jamais transformadas em vítimas deles.