Piscicultura intensifica manejo para melhor produção na Semana Santa

Altas temperaturas afetam crescimento e manejo, enquanto produtores intensificam cuidados para garantir oferta de pescado no período de maior demanda

Por Emater/RS Publicado em há 7 horas

As condições climáticas registradas desde janeiro, com chuvas abaixo da média e distribuição irregular no Rio Grande do Sul, impactam a produção aquícola no Estado. Com temperaturas elevadas, que em alguns dias ultrapassam os 40°C, alternadas com noites mais amenas, e a passagem de frentes frias, o cenário exige maior atenção dos piscicultores, especialmente na reta final de preparação dos peixes para a Semana Santa, celebrada entre os dias 29 de março (Domingo de Ramos) e 5 de abril (Domingo de Páscoa), período em que a demanda por pescado aumenta. A orientação técnica é reforçar o manejo, com uso de aeradores e ajuste na alimentação, diante dos efeitos do calor sobre o metabolismo e o desenvolvimento das espécies.

Foto Arquivo: Emater/RS-Ascar

Conforme o extensionista da Emater/RS-Ascar João Alfredo Sampaio, a oscilação térmica afeta o desenvolvimento dos peixes, animais termoconformadores. “Com o aumento da temperatura, as espécies precisam reduzir o consumo de alimento”, explica, ao destacar que o metabolismo desses animais não acompanha o ritmo necessário em condições acima dos 30°C. Entre as principais espécies criadas no Rio Grande do Sul, como carpas e tilápias, a redução no consumo de ração pode chegar a 40% ou até 50% em períodos de calor mais intenso. Esse comportamento impacta o ganho de peso e exige maior atenção dos produtores.

Diante desse cenário, Sampaio orienta que os piscicultores reforcem o manejo para garantir melhores condições de criação. O uso de aeradores durante a madrugada e a oferta de alimento no final da tarde, após às 17 horas, são estratégias recomendadas para minimizar os efeitos das altas temperaturas. “É importante observar as condições para proporcionar maior conforto aos peixes e garantir ganho de peso com mais segurança”, ressalta.

Outra recomendação importante ocorre em dias nublados, quando há menor incidência de luz e redução na produção de oxigênio na água. Nesses casos, o uso de aeradores se torna essencial, porque os peixes estão em final de crescimento e demandam maior quantidade de oxigênio dissolvido. O cuidado com esses fatores é decisivo para assegurar a qualidade do pescado que chegará ao mercado durante a Semana Santa.

PELAS REGIÕES


Seguem intensos os manejos em preparação para a Semana Santa, e a maior quantidade de alimentação natural no período foi importante para o ganho de peso e uniformização de lotes de peixes. É realizado o monitoramento da qualidade da água, da oxigenação, do pH, além de ajustes de alimentação e controle de densidade dos viveiros.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, a elevação da temperatura da água e o aumento da luminosidade continuam favoráveis ao crescimento e ganho de peso dos peixes em tanques escavados, viveiros e represas. Espécies tropicais como a tilápia ainda exigem atenção devido às oscilações térmicas, típicas do Sul do Brasil. A despesca tem ocorrido para venda de forma direta ao consumidor, nas propriedades, em feiras e em eventos municipais. Já na região de Ijuí, iniciou a despesca, mas em ritmo lento, para abastecer o mercado e estimular o consumo de peixes na Semana Santa, principalmente os policultivos de carpas.

Na região de Passo Fundo, o desempenho da atividade foi favorável. Os tanques e reservatórios estão estáveis e com boa produção natural de zooplânctons e fitoplânctons. Apesar da redução pontual no volume de água, o impacto foi irrelevante sobre a produção esperada.

Na região de Santa Rosa, a atividade se encontra em boa fase em relação ao preço pago, especialmente pela tilápia vendida para frigoríficos de Santa Rosa e Horizontina. A estiagem tem comprometido a oxigenação e a renovação da água dos açudes, exigindo utilização de aerador artificial em produções comerciais intensivas, mas sem causar mortandade de peixes, devido à falta de oxigenação ou falta de água em açudes.

PESCA ARTESANAL


Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, a safra na Lagoa Mirim, em Arroio Grande, se mantém produtiva, segundo a Colônia Z24. Em Jaguarão, os preços seguem desfavoráveis, e não ocorrem vendas significativas. Na Colônia Z3, em Pelotas, as capturas de tainha, corvina e camarão estão menores do que o previsto, mas a pesca de camarão pode ser beneficiada pelo aumento da salinidade da água.

Em São Lourenço do Sul, as capturas de tainha e camarão seguem menores que o previsto. Em Rio Grande, continua a safra de camarão, com produção e tamanho adequados. Em Tavares, na Lagoa do Peixe, a pesca de camarão apresenta pouco volume de captura e tamanho pequeno.

Na região de Santa Rosa, o Rio Uruguai apresentou significativa redução em seu nível. No período foi observado maior volume de pesca de peixes de couro e escassez de piavas, o que impacta a cotação do pescado na região, dada a proximidade da Semana Santa.